O pacote de medidas e benefícios anunciado pelo governo Lula neste ano eleitoral soma R$ 298,4 bilhões, segundo cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico ligado ao Senado. A maior fatia, porém, é crédito que volta aos cofres públicos conforme é pago.
A IFI dividiu a conta em três grupos: medidas de crédito, renúncias tributárias e despesas primárias. Dos R$ 298,4 bilhões, R$ 185,7 bilhões (62%) são linhas de financiamento, como o crédito para MEI e o Desenrola, que retornam à União conforme são pagas.
O impacto mais direto no caixa do governo vem de duas fatias menores. São R$ 63,2 bilhões em despesas primárias, como o aumento do Bolsa Família, e R$ 30,6 bilhões em renúncia de impostos, caso da isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil.
Outros R$ 18,9 bilhões vêm de fundos como o FGTS. Juntas, essas três fatias somam R$ 112,7 bilhões de impacto mais direto sobre as contas públicas.
Por que isso pesa na dívida
Pesa o momento fiscal em que o pacote chega: a dívida pública bruta do Brasil estava em 82,9% do PIB em agosto, equivalente a R$ 11,1 trilhões, e o déficit primário projetado para 2026 é de R$ 80,9 bilhões.
Mesmo a parcela do pacote que volta aos cofres públicos tem custo: toda linha de crédito subsidiada reduz a receita que o governo teria cobrando juros de mercado, e isso também entra na conta do déficit.
O que o governo responde
Nega o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, que as medidas tenham caráter eleitoral. Ele argumenta que cada uma tem natureza própria e que todas estão inscritas no Orçamento e cumprem as regras fiscais vigentes.
Publicidade
Para o ministro, somar programas como o Pé-de-Meia a medidas emergenciais, como o subsídio a combustíveis criado para conter o impacto da guerra no Oriente Médio, distorce o quadro.
O ano eleitoral de 2026 não é o primeiro a ter pacote bilionário às vésperas da votação. Em 2022, o chamado "pacote de bondades" do governo Bolsonaro foi estimado pelo Metrópoles em até R$ 451 bilhões.
O item isolado mais caro daquele pacote foi a ampliação do Auxílio Brasil, de R$ 400 para R$ 600 por mês.
O ponto em aberto
O dado que falta nas duas comparações é o que cada governo fez depois da eleição para equilibrar a conta. Em 2022, os benefícios ampliados tinham prazo marcado para acabar, em 31 de dezembro.
Para o pacote de 2026, a IFI cobra uma revisão da política fiscal em 2027, sem a qual a dívida segue subindo.





























