Os deputados Gleidson Azevedo (Republicanos-MG) e Eduardo Azevedo (PL), irmãos do governador eleito de Minas Gerais Cleitinho Azevedo, intensificaram críticas a Lula. Na terça-feira (3 de novembro), Gleidson atribuiu ao presidente o fechamento da fábrica da Gerdau em Divinópolis, que demitiu 280 pessoas.

A ofensiva não se limita à Gerdau. Os dois parlamentares gravaram vídeos nas redes sociais criticando a portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que elevou a classificação indicativa dos desenhos bíblicos do canal Record Kids para maiores de 12 anos.

A recomendação era exibir o programa só a partir das 20h. Pressionado, o MJSP recuou dias depois e reconheceu que a análise não seguiu a metodologia correta, sem considerar o contexto cultural e religioso do programa.

Gleidson contou ao Metrópoles que avisou sobre o risco antes do segundo turno. "Quando passou o primeiro turno, eu fui para a porta da Gerdau e avisei: se o Lula ganhar essa reeleição, a Gerdau vai fechar a usina", afirmou o deputado.

Essa culpa é do governo Lula e essa culpa eu não carrego

Gerdau atribui o fechamento ao minério de ferro, não à reforma

A Gerdau nega relação com a reforma tributária. Em nota, a siderúrgica atribuiu a decisão à perda de competitividade da operação, por dificuldade de acesso a minério de ferro a custos competitivos.

A empresa também citou o avanço das importações de aço, pressionadas pela crise imobiliária na China, e condições desfavoráveis para exportar. A fábrica chegava a ter 600 funcionários antes dos desligamentos, e outros 120 receberam propostas de transferência para outras unidades.

Gleidson foi prefeito de Divinópolis entre 2020 e março de 2026, quando renunciou ao cargo para concorrer à Câmara dos Deputados.

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Ele administrou a cidade que agora perde a fábrica da Gerdau até pouco antes do fechamento ser anunciado, e hoje atribui a crise a um governo federal que não geria a prefeitura.

Cleitinho, por sua vez, vinha sinalizando a intenção de manter uma relação aberta com Lula. O motivo é prático. Minas Gerais tem uma dívida de quase R$ 200 bilhões com a União, e resolver o problema passa por negociar com o governo federal.

O tom mais ameno de Cleitinho contrasta com a radicalização dos irmãos.

Nem todos os aliados de Lula em Minas reagem com a mesma dureza. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) defende que a relação entre o governo petista e o futuro governo estadual seja "profissional", para "trabalhar o melhor para o povo mineiro".

O que acontece agora

Cleitinho assume o governo de Minas em janeiro de 2027, e já confirmou nomes do secretariado de transição. O mandato de deputado federal de Gleidson começa um mês depois, em 1º de fevereiro de 2027.

Em Divinópolis, a prefeitura negocia com a Gerdau para tentar reduzir o impacto das demissões na cidade.