O governo federal suspendeu, em 29 de outubro, a seleção pública para comprar um supercomputador de R$ 960 milhões dedicado a treinar modelos de inteligência artificial para universidades, empresas e órgãos públicos. O processo só deve ser retomado em 2027.

Por que a compra foi suspensa

A Seleção Pública nº 27/2026 é conduzida pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em parceria com a Finep. O governo decidiu rever os critérios de avaliação das propostas antes de retomar o processo de compra.

A nota técnica segue valendo 70% da avaliação, mas o peso do preço caiu de 30% para 10%, e um novo critério de 20% para produção nacional passou a valer.

R$ 960 milhões serão usados só na aquisição do equipamento, financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O custo total do projeto, somada a implantação, chega a R$ 1,06 bilhão.

O equipamento vai funcionar no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba (RN), com capacidade anunciada de 7.200 petaflops, e vai atender universidades, empresas e órgãos públicos no treinamento de modelos de IA.

Este não é o único supercomputador do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. Em agosto, o governo já havia fechado com as chinesas Huawei e iFlytek a construção de outro equipamento de IA, de R$ 1,3 bilhão, no Rio de Janeiro.

O projeto chinês é executado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e deve começar a operar em julho de 2027, poucos meses depois do equipamento de Petrópolis.

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O que acontece agora

Sem data definida, o governo deve reabrir a seleção pública com as novas regras de produção nacional. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial já enfrentava outros desafios de execução antes deste novo adiamento.

O convênio que financia a compra, assinado com a Finep, tem vigência até agosto de 2030, prazo que dá folga para o governo reabrir o processo sem perder o prazo final do contrato.

O interesse por poder computacional no país é crescente: um levantamento recente mostra que o Brasil pode atrair US$ 60 bilhões por ano em data centers até 2050, impulsionado em parte pela demanda de infraestrutura para IA.