A democrata Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta, se tornou a primeira mulher negra eleita governadora na história dos Estados Unidos. Ela venceu o republicano Rick Jackson na terça-feira (3 de novembro), com 54,3% dos votos, 8,6 pontos à frente.
Bottoms teve 2.075.905 votos contra 1.747.215 de Jackson, segundo apuração de institutos americanos. Ela também é a primeira mulher a governar a Geórgia e sucede o republicano Brian Kemp, que cumpriu oito anos no cargo.
Antes de concorrer ao governo estadual, Bottoms foi prefeita de Atlanta entre 2018 e 2022 e integrou a administração de Joe Biden depois de 2020, quando chegou a ser cotada para vice na chapa democrata (a escolhida foi Kamala Harris).
Por que a Geórgia carrega um peso histórico
O estado é o berço de Martin Luther King Jr., um dos maiores símbolos do movimento pelos direitos civis nos EUA, e tem uma história marcada pela escravidão e pelas leis de segregação racial.
Em 2020, a Geórgia foi palco de protestos antirracistas depois do assassinato do jovem negro Ahmaud Arbery. Desde 1972, o estado era considerado um reduto republicano, até Bottoms se tornar a primeira democrata a vencer a disputa pelo governo desde 1998.
A eleição de Bottoms não foi o único marco da noite. Horas antes, Chris Pappas se tornou o primeiro homem abertamente gay eleito ao Senado dos EUA, em New Hampshire.
O contraste com o Brasil
Enquanto a Geórgia elegia sua primeira governadora, a disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026 teve 11 candidatos ao cargo, e apenas 1 era mulher.
Publicidade
O total de candidaturas em Minas também caiu 28% em relação ao ciclo eleitoral anterior, com a presença feminina seguindo minoritária nas disputas majoritárias.
A sub-representação feminina em disputas por governos estaduais não é exclusividade americana, mas o caso da Geórgia mostra que o cenário pode mudar mesmo em terreno historicamente hostil.
O ponto em aberto
Bottoms assume o governo de um estado que, décadas atrás, não teria cogitado uma candidata como ela. Falta saber se a vitória muda a disputa por outros governos estaduais em 2028, ou se fica como um resultado pontual de uma eleição específica.































