A Polícia Federal deflagrou a Operação Chihuahua na sexta-feira (6 de novembro) contra um grupo suspeito de enviar mais de 270 brasileiros aos Estados Unidos ilegalmente entre 2021 e 2024. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 27 milhões ligados aos investigados.

Segundo a Polícia Federal, os agentes cumprem 14 mandados de busca e apreensão em Central de Minas (MG), além de outros 16 voltados à localização de veículos dos investigados.

O suspeito principal coordenava a logística das viagens, do embarque no Brasil à entrada irregular nos Estados Unidos pela fronteira com o México.

Cada migrante pagava cerca de US$ 20 mil pela promessa de imigração, pouco mais de R$ 100 mil na cotação atual.

De acordo com a PF, o suspeito atuava com o irmão, apontado como braço-direito do esquema, além de outros sete investigados. O grupo teria criado sete empresas para movimentar recursos e ocultar o patrimônio obtido com o contrabando de migrantes.

As sete empresas ligadas aos investigados movimentaram cerca de R$ 270 milhões no período analisado. Desse total, cerca de R$ 12 milhões teriam origem direta no contrabando de migrantes, segundo a corporação.

A investigação também aponta uso de empresas de fachada e lavagem de dinheiro.

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Não é a primeira operação do tipo na região

A Chihuahua é pelo menos a sétima ação da Polícia Federal contra esquemas de migração ilegal partindo de Minas Gerais rumo aos Estados Unidos desde 2025, segundo notas oficiais publicadas pela própria corporação ao longo deste ano.

Em setembro, a PF já havia cumprido 13 mandados em Governador Valadares (MG) contra suspeito que enviou mais de 230 pessoas pela mesma rota. Em outubro, a corporação desarticulou um esquema semelhante com cinco mandados em Figueirópolis d'Oeste (MT).

Um dia antes da Chihuahua, a PF prendeu a líder de um grupo que enviava brasileiras a Israel, em outra investigação de tráfico de pessoas.

E, do outro lado da mesma rota, os voos de deportação de brasileiros que tentaram entrar nos EUA já superam o total de 2025.

O que acontece agora

A investigação segue sob sigilo quanto à identidade dos suspeitos, que ainda não foram denunciados pelo Ministério Público Federal. Os veículos apreendidos ficam sob custódia da Justiça até o fim do inquérito, e o bloqueio de R$ 27 milhões permanece em vigor.