O marqueteiro Alberto Lage afirmou que a virada de Lula entre o 1º e o 2º turno das eleições de 2026 foi resultado de mobilização, não de mudança na campanha publicitária, e atribuiu a reeleição à queda da abstenção, de 21% para 19%.

"Foi mobilização, não foi marketing", disse Lage em entrevista ao programa Café com Política, na sexta-feira (6 de novembro). "O que resolveu a eleição foi passar a abstenção de 21% para 19%", completou.

O marqueteiro rejeita a ideia de que eleitores tenham mudado de voto no boca a boca. "O pessoal ficou falando, 'entrei no Uber e virei o voto dele'. Mentira", disse. "O motorista falou que concordava com a pessoa para ela parar de falar", completou.

O resultado oficial do 2º turno

Segundo o TSE, Lula (PT) teve 51,79% dos votos válidos no 2º turno, ante 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). A abstenção caiu para a menor taxa em 20 anos, de 21,08% no 1º turno para 19,21% no 2º.

Publicidade

A diferença entre os dois candidatos foi de 4,43 milhões de votos, em um total de 124 milhões de votos válidos no 2º turno.

A outra explicação: a guinada digital

Outros analistas discordam da tese de que foi só mobilização. No 1º turno, Flávio havia ficado à frente por 47% a 45,2%, e a campanha de Lula mudou de estratégia nas três semanas seguintes, apostando forte na atuação digital.

O cientista político Sérgio Abranches atribui a virada à guinada digital do PT, liderada por Janones. "Se Lula não tivesse entrado no digital com a força que entrou e com o apoio de políticos digitais ligados ao PT, essa virada não seria possível", disse.

No Nordeste, onde a campanha digital encontrou "terreno mais fértil", Lula passou de cerca de 62% dos votos no 1º turno para mais de 69% no 2º. A região deu a Lula 13,7 milhões de votos a mais que a Flávio.

O canal de Janones no WhatsApp chegou a 6 milhões de inscritos ainda na campanha.

Publicidade

Depois da eleição, o canal passou de 10 milhões e virou ferramenta pós-eleitoral.

O cientista político Jairo Nicolau pondera que o esforço da militância levou Lula só um pouco acima do patamar de 2022, mesmo com a recuperação sendo chamada de "virada histórica".

As duas explicações não se excluem: quem convenceu o eleitor a sair de casa pode ter sido, ao mesmo tempo, quem apareceu primeiro no WhatsApp dele.