A Polícia Federal deflagrou a Operação Dirty Dancing na quinta-feira (5 de novembro) contra um grupo suspeito de recrutar brasileiras para prostituição em Israel. A líder da organização, uma mulher presa preventivamente em Ananindeua (PA), usava redes sociais para aliciar as vítimas, segundo a corporação.

Agentes cumpriram o mandado de prisão e dois de busca e apreensão em Ananindeua, além de outro mandado de busca e apreensão em Goiânia (GO). A investigação começou em fevereiro de 2025, a partir de informações repassadas pela Polícia de Israel.

O trabalho é desdobramento de uma apuração israelense sobre o mesmo grupo.

Como funcionava o esquema

Segundo a PF, a suspeita usava redes sociais e aplicativos de mensagens para recrutar mulheres interessadas em viajar ao exterior. A organização providenciava deslocamento e hospedagem, enquanto operadores no Brasil anunciavam as vítimas em sites especializados e agendavam clientes.

Agentes da Polícia Federal durante operação em sede da corporação
Agentes da Polícia Federal em ação durante operação da corporação (imagem de arquivo, de outra operação). Foto: Senado Federal/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Os valores pagos pelos serviços no exterior eram arrecadados em espécie e enviados ao Brasil por meio de um esquema clandestino de câmbio, aponta a PF. A Justiça Federal determinou o sequestro e o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens dos investigados.

A decisão também suspendeu as atividades de duas empresas ligadas à presa. Os outros dois suspeitos não foram presos, mas tiveram os passaportes apreendidos e ficaram proibidos de deixar o país, sob monitoramento eletrônico.

De acordo com a PF, os suspeitos atuavam em mais de um país e podem responder por organização criminosa, tráfico de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração irregular e operação ilegal de câmbio. Nenhum deles foi condenado até o momento.