A Petrobras vai investir R$ 13 bilhões para perfurar 15 poços na Margem Equatorial até 2030, na aposta de repor as reservas do pré-sal, que deve começar a declinar a partir de 2030. Hoje, 80% da produção da estatal vem do pré-sal.

O declínio das bacias de Campos e Santos, onde fica o pré-sal, deve começar em 2030. A reposição de reservas pode ser necessária já a partir de 2033, segundo especialistas.

Na aposta da Petrobras, a bacia da Foz do Amazonas pode responder por 1 milhão de barris de petróleo por dia até 2029. Mas a produção regular só deve começar em 2032 ou 2033, se tudo der certo.

O intervalo entre um prazo e outro é o cerne da aposta.

A própria Petrobras reconhece que ainda não sabe quanto petróleo existe de fato na região. A fase é exploratória, e a estimativa de volume não é um dado confirmado.

Sem novas descobertas na escala do pré-sal, a produção brasileira de petróleo, que deve chegar a 5,3 milhões de barris por dia em 2030, pode cair para 1,4 milhão de barris diários em 2040.

A polêmica ambiental

A licença para perfurar veio do Ibama em outubro de 2025, encerrando uma disputa de quase cinco anos. Em 2023, o órgão havia negado o primeiro pedido da Petrobras, por inconsistências técnicas e falta de dados sobre a fauna marinha.

O poço fica a 175 km da costa do Amapá e a 500 km da foz do rio Amazonas.

Observatório do Clima, Greenpeace e o Painel Científico para a Amazônia criticam o projeto, por entenderem que ele contradiz o compromisso brasileiro com a transição energética.

Paulo Artaxo, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), disse que "esta decisão contradiz os compromissos com a transição energética e coloca em risco comunidades, ecossistemas e o planeta".

Quanto tempo o Brasil tem para essa aposta dar certo

A Petrobras aposta bilhões numa reserva que ela mesma ainda não sabe dimensionar, numa corrida contra um relógio que já está andando.

O pré-sal começa a declinar em 2030, e a Margem Equatorial só deve produzir de forma regular em 2032 ou 2033. As fontes públicas consultadas nesta reportagem não respondem o que acontece com a produção brasileira nesse intervalo.