O Ministério da Justiça e Segurança Pública notificou o Frigorífico Goiás, de Goiânia, por anúncio que dizia "petista aqui não é bem-vindo". O dono do estabelecimento, Leandro Nóbrega, também ofereceu viagem com tudo pago a petistas para não votarem no domingo (25 de outubro).

Segundo nota da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao MJSP, o frigorífico foi notificado na quarta-feira (28 de outubro). O estabelecimento tem prazo de cinco dias úteis para se manifestar. A nota diz que o comércio precisa esclarecer se o comunicado era mesmo seu.

Segundo o ministério, o caso entrou em um pacote de notificações a comércios que teriam praticado abusividade contra consumidores por posicionamento político.

O anúncio original havia sido fixado no frigorífico em setembro de 2025. Na época, o Ministério Público de Goiás acionou a Justiça, que determinou a retirada do cartaz.

O estabelecimento substituiu a frase por outra: "bandido aqui não é bem-vindo, e nem quem vota em bandido". O Tribunal de Justiça de Goiás também mandou tirar esse segundo aviso, por entender que mantinha, de forma implícita, a mesma prática discriminatória.

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Por que a oferta de viagem é considerada abusiva?

A Senacon considera que divulgar restrição ao atendimento de clientes de um partido pode ser prática abusiva, mesmo sem prova de que algum consumidor tenha sido barrado. A regra vale também para quem tenta atrair o voto com benefício.

A regra vale tanto para quem afasta clientes quanto para quem tenta comprar apoio com benefício.

Dias antes do 2º turno, Leandro publicou vídeo oferecendo a petistas de Goiânia uma viagem a Caldas Novas, com tudo pago, incluindo cerveja e picanha, no domingo da votação. Ele tem cerca de 1 milhão de seguidores nas redes sociais.

O vídeo circulou rápido.

A Justiça do Trabalho da 18ª Região reagiu no mesmo sábado (24 de outubro). O juiz Carlos Alberto Begalles proibiu o empresário e o frigorífico de promover eventos que retirassem trabalhadores de seus domicílios eleitorais, sob multa de R$ 100 mil por descumprimento.

À época do primeiro cartaz, Leandro disse que o estabelecimento nunca impediu a entrada de ninguém por motivo político, religioso ou de time de futebol. A defesa do empresário não respondeu ao g1 até a publicação da reportagem.

O caso se soma a um aumento de denúncias de pressão sobre o voto depois do 2º turno.

O MTE já recebeu 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral no trabalho em três dias, parte ligada a boicotes contra empresas vistas como apoiadoras de candidatos.

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A PF também prendeu dez pessoas por compra de votos em Roraima, em operação separada deste caso.

Parte das denúncias também envolve redes sociais. A Justiça já mandou a Meta retirar do ar posts de assédio eleitoral em até 24 horas após notificação.

O que acontece agora

O frigorífico tem até a próxima segunda-feira (2 de novembro) para responder à notificação da Senacon. Depois disso, o órgão analisa a defesa e decide se abre processo administrativo por prática abusiva, com possibilidade de multa.

A proibição da Justiça do Trabalho contra novas ofertas de viagem a eleitores já perdeu efeito prático, porque a votação do 2º turno já ocorreu.