Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em 34 cidades da Alemanha no sábado (31 de outubro), convocadas pelo grupo Gen Z regelt para pedir mais investimento em educação e o fim do serviço militar obrigatório no país, segundo os organizadores.
O protesto alemão é o capítulo mais recente de uma onda que já derrubou governos em três países desde 2022.
De onde vem a onda da Geração Z?
O movimento nasceu no Sri Lanka em 2022, mas ganhou força global depois que o governo do Nepal caiu em 2025. Desde então, pelo menos oito países tiveram protestos significativos liderados por jovens, e três governos foram derrubados.
Em Bangladesh, o partido no poder há 15 anos caiu em 2024; no Nepal, o Parlamento foi incendiado e uma ex-juíza-chefe assumiu o governo em 2025; em Madagascar, o governo foi completamente dissolvido.
Cada país teve seu estopim. Na Sérvia, o desabamento do teto de uma estação de trem matou 16 pessoas em Novi Sad; no Marrocos, 8 mulheres morreram durante o parto em hospitais públicos.
Por trás dos estopins está o desemprego. 22% dos jovens estão sem trabalho em Marrocos e na Sérvia; no Nepal, a taxa é de 20%.
A organização passa por fora da política tradicional. Discord foi ferramenta central nos protestos de Marrocos e do Nepal, e a bandeira pirata do mangá japonês One Piece virou símbolo internacional do movimento, usada pela primeira vez na Indonésia em 2023.
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Na Alemanha, o pano de fundo muda. O país tem a maior economia da Europa e nenhum risco imediato de queda de governo. O protesto de sábado mirou política educacional e militar, não a sobrevivência de um gabinete.
"Estamos aqui hoje para lutar pela paz e pela liberdade, e não pela guerra e pela coerção", disse Lina Friedrich, porta-voz do Gen Z regelt, em Berlim.
As autoridades alemãs temem repetir o padrão da França, onde protestos recentes expuseram a fragilidade do governo.
"Todos nós temos aquelas imagens da França em nossas mentes, saques, casas em chamas, veículos da polícia incendiados e ataques a policiais", disse Roman Poseck, ministro do Interior do estado de Hesse.
O temor tem raiz política. A extrema direita já dobrou de votos na Alemanha nos últimos 5 anos, e o Ministério do Interior afirma que grupos extremistas tentam se infiltrar no movimento.
No mesmo fim de semana, Paris também mudou a rota de atos para evitar repetir a violência de protestos anteriores. É o espelho que a Alemanha tenta não repetir.
O ponto em aberto
A pergunta que fica é se o modelo alemão resiste à pressão. Democracias estáveis como a alemã já absorveram protestos antes sem perder governos.
O teste agora é se a insatisfação da Geração Z vai se transformar em pressão por reforma, como pede o Gen Z regelt, ou se vai alimentar o avanço da extrema direita que as próprias autoridades dizem temer.































