A França registrou 320 mil manifestantes no sábado (31 de outubro) em protestos contra o alto custo de vida, queda de 42% ante os 550 mil do dia 17 de outubro. Em Paris, Lyon e Toulouse, parte dos atos terminou em confronto com a polícia.
Foi o terceiro sábado seguido de manifestações no país. Na semana anterior, 410 mil pessoas haviam protestado; a sequência mostra o movimento perdendo fôlego em casa.
O Ministério do Interior francês afirmou que grupos considerados radicais tentaram se separar das marchas para provocar danos e saques em Bordeaux, Toulouse, Lyon e Marselha, mas foram contidos pelas forças de segurança.
Por que a mobilização francesa está caindo?
Os protestos começaram como reação ao alto custo de vida e à precariedade dos serviços públicos, e tiveram pico de 550 mil manifestantes em 17 de outubro, duas semanas depois de uma onda de saques e destruição em várias cidades do país.
O governo mobilizou 70 mil policiais e agentes de segurança no sábado, diante do risco de novos confrontos. A dispersão em Paris e o gás lacrimogêneo em Lyon e Toulouse mostram que a tensão segue alta, mesmo com menos gente nas ruas.
A onda já havia saído da França antes. Os protestos chegaram a outros quatro países já na semana do pico, e a crise fiscal francesa segue no radar: a dívida pública do país está no maior nível desde 1978.
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O que acontece nos outros países?
Na Alemanha, o movimento jovem "Gen Z Regelt" levou manifestantes a 34 cidades, entre elas Berlim, Frankfurt, Colônia e Munique, no mesmo sábado. As pautas somam custo de vida, subfinanciamento da educação e a possível volta do serviço militar obrigatório.
A Reuters contou cerca de 18 mil manifestantes em Berlim, Frankfurt e Munique. Em Hamburgo e Colônia, a polícia usou canhões de água depois de barricadas incendiadas e fogos de artifício.
"O que nos une é que perdemos a paciência com o sistema educacional. Muitos jovens estão profundamente frustrados", disse à Deutsche Welle o estudante alemão Quentin Gärtner, de 19 anos.
Esse mesmo movimento alemão já tinha história antes do sábado: a Geração Z já havia derrubado três governos no país antes de ir às ruas outra vez.
Na Itália, uma greve geral levou trabalhadores e estudantes às ruas de mais de 40 cidades. Diferente da mobilização alemã, os atos italianos foram convocados por sindicatos, com pauta de aumento salarial e crítica a gastos militares, e também tiveram confronto com a polícia.
A França perde gente nas ruas; a Europa, não. O protesto virou movimento continental mesmo encolhendo onde nasceu.
Até onde vai esse ciclo de protestos?
A queda de 550 mil para 320 mil em três semanas marca uma tendência de recuo na França. Mas o mesmo fim de semana que esvaziou um pouco as ruas francesas levou multidões inéditas à Alemanha e à Itália.
Falta saber se a onda ganha um novo pico continental nas próximas semanas ou se perde força país por país, como já ocorre em solo francês.































