O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse no sábado (31 de outubro) que cresce o interesse por um cessar-fogo limitado no Mar Negro, restrito a grãos e petróleo. Os EUA avaliam propostas da Turquia e da Índia para destravar os embarques.

Em Atlanta, Rubio disse a jornalistas que o avanço discutido não encerraria o conflito, mas aliviaria um ponto específico da guerra. Segundo ele:

Isso está ameaçando a segurança alimentar mundial e, em parte, também a segurança energética. Gostaríamos de conseguir isso. Não resolve a guerra, mas pelo menos resolve um aspecto específico dela.

A ideia de uma trégua restrita a grãos e energia não é nova, e já foi rejeitada uma vez. Em agosto, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, descartou uma primeira versão da proposta.

"Não há motivos para meias-medidas que apenas concedam ao regime de Kiev um respiro temporário", disse Zakharova, que também acusou a Ucrânia de promover "atos descarados de terrorismo" contra a navegação no Mar Negro.

A Rússia disse não ter recebido proposta formal da Turquia.

Um mês depois, em setembro, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky propôs uma trégua recíproca para proteger redes de energia e a infraestrutura de exportação de grãos dos dois países.

A proposta veio depois de os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, se reunirem com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, e visitarem Kiev.

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O que muda para o agronegócio brasileiro?

A guerra no Mar Negro turbinou o mercado de grãos e abriu espaço para o Brasil. A rota concentra 90% das exportações de grãos da Ucrânia, e os ataques recentes derrubaram embarques, pressionando o preço do trigo, do milho e da soja.

Em agosto, o trigo negociado em Chicago fechou a US$ 7,84 o bushel, maior valor em três anos. O milho bateu recorde de três anos, e a soja chegou à maior cotação em dois anos e meio. Os três subiram juntos.

O avanço veio depois de um ataque ucraniano deixar dois terminais de grãos fora de operação no porto russo de Novorossiysk, em agosto, segundo o presidente Volodimir Zelensky.

O Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento estima que a Ucrânia pode perder até US$ 5 bilhões em exportações por causa dos ataques, equivalente a 2,5% do PIB ucraniano, segundo a economista-chefe do banco, Beata Javorcik.

A consultoria StoneX avalia que a escalada no Mar Negro abre espaço para o Brasil ganhar mercado como exportador de milho.

Uma trégua reduziria os preços globais de grãos e poderia devolver à Ucrânia parte da fatia de mercado que a guerra tirou dela nos últimos meses.

O ponto em aberto

Rubio falou em interesse crescente, mas não citou prazo para um anúncio formal, e Moscou não respondeu à declaração do sábado. A última posição pública da Rússia, de agosto, foi de rejeição a uma proposta semelhante.

Apesar da recusa de agosto, os ataques no Mar Negro não pararam. Em outubro, a região teve o terceiro ataque de drones a navios em 8 dias, sinal de que o acordo restrito segue incerto.