A Chilli Beans, rede brasileira de óculos e acessórios, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na noite de sexta-feira (30 de outubro), para renegociar R$ 340 milhões em dívidas bancárias, sem incluir dívidas com fornecedores e com os próprios funcionários da rede.

O plano foi alinhado com os principais credores da empresa e prevê aporte de até R$ 50 milhões para a reestruturação. Itaú, a consultoria Akron e a gestora Vega atuam como financiadores âncora e coordenam a injeção dos novos recursos.

"Passamos por um momento difícil, mas saímos ainda mais fortes e conscientes do que representamos para milhares de consumidores e centenas de parceiros", disse o fundador e CEO da Chilli Beans, Caito Maia.

Em agosto, Caito Maia já havia comentado que as dificuldades financeiras da empresa começaram na pandemia de Covid-19 e, desde então, as contas vinham apertando. No comunicado do pedido, ele disse que o varejo brasileiro enfrenta "um período desafiador".

A Chilli Beans tem cerca de 900 franquias no país e atua em mais de 14 países. Só em outubro, a marca abriu 9 pontos de venda no Brasil e mais 4 na América do Sul.

O movimento ocorre em meio a uma onda de recuperações no varejo. A Ri Happy, líder em brinquedos, teve pedido de recuperação extrajudicial de R$ 827 milhões aceito pela Justiça de São Paulo em outubro.

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Fora do varejo, os acionistas da Raízen aprovaram a maior recuperação extrajudicial do país. Segundo a consultoria RGF, o Brasil tinha 6.341 empresas em recuperação judicial até o 1º semestre de 2026.

O setor é sensível à Selic, hoje em 13,75% ao ano. O juro alto encarece o financiamento e reduz o consumo parcelado, justamente entre as famílias de menor renda.