O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou no sábado (31 de outubro), na rede social Truth Social, uma montagem que mostra a Groenlândia como um porta-aviões americano, com a frase "Bem-vindos à Groenlândia", numa publicação que voltou a chamar atenção internacional.

A publicação veio dias depois de Trump falar em exploração de petróleo, gás e minerais na ilha, e elogiar sua posição estratégica para a segurança dos Estados Unidos e da Europa.

"Uma enorme exploração de petróleo, gás e minerais está prestes a começar na nossa nova e bela Groenlândia!", escreveu Trump.

O governo da Groenlândia contestou a versão. "Há atividades de empresas dos EUA, mas estamos muito longe de uma exploração massiva", disse à CNN o vice-ministro de Mineração da Groenlândia, Jørgen Hammeken-Holm.

Por que Trump quer tanto a Groenlândia?

A ilha é a maior do mundo, com mais de 2 milhões de km² e cerca de 56 mil habitantes, mas abriga recursos que interessam aos EUA. Estimativas apontam até 25% de todas as reservas mundiais de terras raras.

O território também teria 593 mil toneladas de urânio e 81,6 milhões de toneladas de zinco. O Serviço Geológico dos EUA estima ainda 31 bilhões de barris de petróleo equivalente na costa nordeste, área coberta por gelo e de exploração cara.

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A disputa não é nova. Em outubro, Trump já havia anunciado exploração maciça de petróleo na Groenlândia, mesma promessa repetida agora na montagem do porta-aviões.

Em setembro, EUA, Dinamarca e Groenlândia já tinham assinado acordo de segurança que amplia a presença militar americana na ilha, atualizando o tratado de defesa de 1951. O documento não transfere a soberania da Groenlândia para os EUA.

As novas bases militares dos Estados Unidos já mudam o equilíbrio da disputa pela ilha. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse que o acordo não compromete a soberania dinamarquesa nem o direito de autodeterminação da população.

Uma semana antes, em comício na Geórgia, Trump já havia dito que os EUA "ficaram com a Groenlândia e a Venezuela de graça", chamando o acordo de segurança de "maior negócio imobiliário da história".

Em menos de uma semana, Trump tratou publicamente a posse da Groenlândia como fato consumado, primeiro em discurso, depois em montagem digital.

Não é a primeira vez que a Groenlândia reage. Em janeiro, o primeiro-ministro groenlandês, Jens Frederik Nielssen, já havia dito: "Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação."

O ponto em aberto

A pergunta que fica é até onde vai a insistência americana. O acordo de setembro reconhece a soberania dinamarquesa e o direito à autodeterminação dos groenlandeses no papel.

Mas as declarações de Trump sobre a Groenlândia e a Venezuela como território conquistado "de graça" seguem tensionando esse equilíbrio, numa disputa que já dura desde o início do seu mandato.