A economia brasileira desacelerou no segundo trimestre de 2026: o IBC-Br, indicador do Banco Central que antecipa o PIB, cresceu 0,2% ante o primeiro trimestre, bem abaixo da alta de 1,3% registrada entre janeiro e março. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central.

Segundo o Banco Central, o indicador recuou 0,6% em junho na comparação com maio, resultado pior que os -0,5% esperados pelo mercado. Na comparação com junho de 2025, o IBC-Br subiu 2,4%, e no acumulado em 12 meses a alta é de 1,5%.

É o pior resultado trimestral desde o terceiro trimestre de 2025, quando o indicador havia recuado 0,5%.

Por que a queda de junho pesa no trimestre seguinte

A retração de junho deixou uma herança estatística negativa de 0,4 ponto percentual para o terceiro trimestre de 2026. Mesmo que a atividade se estabilize, o efeito estatístico do mês mais fraco já reduz o ponto de partida do trimestre seguinte.

Por setor, a queda de junho ante maio foi puxada pela indústria (-1,4%) e pelos serviços (-0,5%). A agropecuária foi na direção oposta, com alta de 1,0%. Descontado o setor agropecuário, o IBC-Br recuou 0,9% no mês.

"Para a frente, a expectativa é que esse movimento continue e a gente continue tendo uma atividade econômica mais modesta", disse Antonio Ricciardi, economista do banco Daycoval.

Para Alexandre Maluf, economista da XP, os estímulos do governo "expandem a renda real em ritmo sólido", mas o efeito é compensado pelos juros altos. Já André Valério, economista do Inter, afirma que o dado confirma uma economia "mais dependente do setor externo".

Nesta segunda, o dólar caiu para R$ 5,19 e a Bolsa recuou, em dia de mercado atento aos números do IBC-Br, segundo a UOL Economia.

O que o resultado sinaliza para os juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) já cortou a Selic para 14% ao ano. O colegiado afirmou que vai manter "a restrição adequada" para levar a inflação à meta.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem evitado seguir as apostas do mercado. Ele vem praticando uma política mais restritiva do que o Boletim Focus projetava.

Parte do mercado financeiro já projeta um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de setembro do Copom, caso a desaceleração se confirme nos próximos indicadores.

As estimativas para a Selic no fim de 2026 variam entre 13,25% ao ano, do Inter, e 13,50%, do PicPay.

As projeções de crescimento do PIB para 2026 também variam entre as instituições: a XP prevê alta de 2,0%, o Inter, de 1,8%, o PicPay, de 1,70%, e o Goldman Sachs, mais conservador, de 1,3%.

O que ainda depende do Copom

O Banco Central sinalizou que vai manter os juros altos até ter certeza de que a inflação converge à meta, mesmo com a atividade perdendo fôlego.

O mercado já precifica um novo corte em setembro, e junho deixou herança estatística negativa para o trimestre seguinte. O próximo capítulo é a decisão do Copom — entre priorizar o combate à inflação ou dar algum alívio à atividade que desacelera.