O Setembro Amarelo começa nesta terça-feira (1º) como política pública nacional pela primeira vez, por força da Lei 15.199/2025. A norma transforma o mês em período oficial de mobilização pela saúde mental e pela prevenção do suicídio e da automutilação em todo o país.
A lei também cria duas datas fixas: o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio, em 10 de setembro, e o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, em 17 de setembro.
O tema da campanha de 2026, liderada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), é "Escutar é estar presente" — um convite a ouvir sem julgamento quem atravessa sofrimento emocional, antes que a crise se agrave.
O que os números mostram
O Brasil registrou 17.002 mortes por suicídio em 2023, taxa de 8 óbitos a cada 100 mil habitantes, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. A taxa vinha de 7,66 por 100 mil em 2022.
Na década entre 2010 e 2019, o número de mortes subiu 43% no país, de 9.454 para 13.523 por ano. Entre adolescentes, o aumento no mesmo período foi ainda maior: 81%, com a taxa passando de 3,5 para 6,4 óbitos a cada 100 mil.
A maioria dos óbitos é masculina, mas a diferença esconde um padrão que a própria campanha tenta combater. Homens buscam menos ajuda antes da crise. Eles somam 77,9% das mortes, com taxa de 12,6 por 100 mil contra 5,4 por 100 mil entre mulheres.
Segundo a organização da campanha, 96,8% dos casos de suicídio estão associados a transtornos mentais que têm tratamento. É por isso que a lei aposta em diagnóstico e acolhimento. Quanto antes o sofrimento é identificado, maior a chance de resposta.
O tratamento funciona, e a convivência também. Um grupo de pacientes psiquiátricos completou 25 anos e lançou o quinto álbum em agosto, prova de que o cuidado em saúde mental pode render histórias longas.
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O que muda com a lei nova
Antes da Lei 15.199/2025, o Setembro Amarelo era uma campanha da sociedade civil, sem status oficial. Com a mudança, estados e municípios ganham respaldo legal para bancar ações como iluminação de prédios públicos, campanhas em veículos de comunicação e atividades educativas nas comunidades.
Na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, a programação deste ano é trinacional, com abertura em Foz do Iguaçu também nesta terça.
Onde buscar ajuda
O CVV atende de graça, 24 horas por dia, pelo telefone 188, além de chat e e-mail em cvv.org.br. O atendimento é sigiloso e não exige identificação.


























