O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, confirmou nesta segunda-feira (14) que Brasil e Estados Unidos terão a primeira reunião presencial sobre o tarifaço em 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, no Wisconsin. O encontro ocorre à margem da reunião ministerial de comércio do G20.
Segundo o ministro, a expectativa brasileira é a mesma do gabinete comercial dos Estados Unidos, o USTR: fechar o primeiro encontro presencial ainda este mês, depois de cinco rodadas de conversa só por vídeo.
Há uma reunião do G20 programada para o dia 30 de setembro e 1º de outubro, nos Estados Unidos, e a expectativa tanto nossa quanto do USTR é que nós façamos uma reunião presencial lá.
As tarifas somam 37,5% sobre uma fatia das exportações brasileiras: 25% aplicados em julho por uma investigação da Seção 301 do comércio americano, mais 12,5% adicionais por acusação de falha no combate ao trabalho forçado.
Juntas, atingem 16,5% de tudo que o Brasil vende aos Estados Unidos.
O impacto já aparece nos números oficiais: as exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram 9,7% neste ano.
As duas tarifas somadas equivalem a mais de um terço do valor de cada venda ao mercado americano, e a queda nas exportações passou a aparecer nos números meses depois delas entrarem em vigor.
O que está em jogo na mesa de negociação
Estão na mesa o comércio digital do Pix, propriedade intelectual, tarifas sobre etanol e o acesso a minerais críticos. O Brasil sinaliza abertura para reduzir tarifas sobre bens de capital americanos, mas resiste a ceder terreno nos minerais estratégicos.
Este será pelo menos o sexto encontro entre as equipes técnicas desde maio, mas o primeiro presencial.
Em agosto, um telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump destravou o impasse e abriu caminho para a videoconferência entre Elias Rosa e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, quando o Brasil classificou as tarifas como discriminatórias.
"Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram", afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, em julho.
Na ocasião, a CNI calculou que a tarifa de 25% isolada afeta US$ 11 bilhões em vendas brasileiras.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atribui parte da escalada a "ruídos diplomáticos" do próprio governo brasileiro, avaliando que uma condução mais técnica poderia ter evitado a retaliação americana.
O governo brasileiro, por sua vez, já havia criticado tarifas unilaterais em fórum do Brics, sem citar diretamente os Estados Unidos.
O setor agrícola também sentiu o baque: as vendas do agro brasileiro aos EUA caíram 25% no semestre, mesmo com faturamento recorde do setor no mercado global.
O que acontece agora
A reunião em Milwaukee deve ser exploratória, sem fechamento de acordo. Segundo o governo brasileiro, um entendimento definitivo só deve sair depois das eleições de outubro no Brasil.
Até lá, as equipes técnicas dos dois países seguem detalhando os temas que vão à mesa dos ministros.


























