O Banco do Japão (BoJ) elevou nesta sexta-feira (18) a taxa básica de juros de 1% para 1,25% ao ano, o nível mais alto desde 1995. É o aumento mais rápido do ciclo de aperto monetário do país, motivado pela inflação persistente.
"Dado que a inflação subjacente tem se aproximado de 2% e as condições financeiras têm sido acomodatícias, o banco continuará a elevar a taxa básica de juros e a ajustar o grau de acomodação monetária", informou o BoJ, em comunicado.
O banco havia pausado após a última alta, em junho, mas sinalizações de dirigentes favoráveis a mais aperto, somadas a declarações de apoio do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, levaram o mercado a precificar a decisão desta sexta.
Por que o mundo sobe juros e o Brasil corta a Selic?
O mundo sobe juros porque o petróleo ficou mais caro. Segundo a economista Andressa Durão, do Banco ASA, o conflito entre Estados Unidos e Irã elevou o barril de US$ 73 para US$ 108,49, o maior choque de energia em anos.
Além do BoJ, o Federal Reserve e o Banco Central Europeu também apertaram a política monetária nesta semana.
O BCE subiu a taxa de 2,25% para 2,50%, a segunda alta do ano, depois que a inflação da zona do euro chegou a 3,3% em agosto, a maior desde setembro de 2023.
O Brasil segue o caminho oposto. O Banco Central cortou a Selic para 13,75% ao ano na quarta-feira (16), mesmo dia em que o Fed também elevou os juros nos Estados Unidos.
Enquanto as maiores economias do mundo apertam os juros, o Brasil segue reduzindo os seus.
O que isso pode significar para o dólar no Brasil?
A diferença de juros entre Brasil e Japão ainda é de 12,5 pontos percentuais, mas vem encolhendo a cada alta do BoJ. Isso reduz o ganho do carry trade, estratégia de tomar dinheiro barato no Japão para aplicar em países com juros mais altos.
A referência é o que aconteceu em 2024, quando a primeira alta do BoJ desde 2016 levou o real a R$ 5,74 por dólar, cotação mais alta desde dezembro de 2021, em meio ao desmonte de posições de carry trade ao redor do mundo.
O movimento já havia pressionado o real em ciclos anteriores de alta japonesa. No Brasil, oscilações de câmbio ligadas a juros nos Estados Unidos e no Japão já derrubaram a Bolsa e elevaram o dólar em outras ocasiões neste mês.
O que acontece agora
O BoJ reafirmou que vai continuar elevando a taxa básica e ajustando o grau de estímulo monetário, conforme a evolução da inflação e das condições financeiras.
Economistas ouvidos por agências internacionais dizem que a dúvida não é mais se o banco japonês vai subir os juros de novo, mas em que ritmo e magnitude. O Copom, por sua vez, não sinalizou se fará novos cortes na Selic nas próximas reuniões.


























