O Federal Reserve elevou a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. No mesmo dia, o Banco Central do Brasil cortou a Selic para 13,75%.
É a primeira alta de juros do Fed em três anos. A decisão foi unânime, a primeira sob o comando de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do banco central americano em maio deste ano.
O comitê também revisou para cima a projeção de juros para o fim de 2026, de 3,8% para 4,1%. Isso indica ao menos mais um aumento de 0,25 ponto até dezembro, nas duas reuniões que ainda restam no calendário.
"O comunicado que acompanhou a decisão veio hawkish", disse Marcelo Bassani, sócio da Boa Brasil Capital. Segundo ele, "a economia americana está aguentando juros altos sem travar".
A leitura tem respaldo nos dados de emprego dos Estados Unidos. Foram 162 mil vagas criadas em agosto, quase três vezes mais que os 56 mil esperados pelo mercado.
O que muda no bolso do investidor brasileiro
O efeito mais direto recai sobre o carry trade, estratégia pela qual investidores estrangeiros tomam dólar barato para aplicar em ativos brasileiros de retorno maior. A distância entre os juros dos dois países, que sustenta essa operação, ficou mais estreita.
Antes da decisão desta quarta, a Selic a 14% e o piso efetivo dos fed funds em 3,625% formavam um diferencial de 10,375 pontos percentuais.
Com a Selic em 13,75% e os fed funds em 3,875%, a distância caiu para 9,875 pontos percentuais, uma compressão de meio ponto em um único dia.
Quando essa diferença fica menor, o Brasil perde um pouco desse atrativo financeiro e isso pode trazer mais volatilidade para o câmbio.
afirmou Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos. Quanto menor a distância entre as duas taxas, menor o prêmio que remunera quem troca dólar por real para investir por aqui, segundo a mesma leitura de mercado.
Apesar da compressão, o mercado brasileiro fechou a quinta-feira (17) em terreno positivo. O Ibovespa subiu 0,24%, aos 185.992,03 pontos, e o dólar recuou 0,24% ante o real, cotado a R$ 5,139.
Mais cedo, a bolsa havia caído com o anúncio do reajuste do Bolsa Família, mas recuperou o terreno perdido depois da fala do ministro da Fazenda.
A coincidência de datas já era esperada pelo mercado. Desde o início da semana se sabia que o Comitê de Política Monetária se reuniria no mesmo dia da decisão americana, o que o mercado financeiro chama de "Super Quarta".
É o mesmo cruzamento de calendário entre Copom e Fed antecipado dias antes. O Fed também citou pressão externa. O petróleo tipo Brent passou dos US$ 100 o barril, para cerca de US$ 108.
As tensões no Oriente Médio ajudam a explicar a resistência da inflação americana. A projeção do núcleo do índice de preços PCE para 2026 subiu de 3,3% para 3,4%.
"O Fed praticamente convergiu no seu material de projeções para que tenha mais uma alta de juros ainda esse ano", disse Gustavo Cruz, estrategista da Sincra.
O movimento desta quinta repete um sinal que já havia aparecido em junho, quando o mesmo recuo do carry trade pressionou o dólar frente ao real.
A diferença é que, desta vez, o movimento veio de uma alta nos EUA, e não apenas de um corte no Brasil.
O que acontece agora
O Fed tem mais duas reuniões em 2026, e o próprio comitê sinaliza um novo aumento de 0,25 ponto até dezembro. Do lado brasileiro, o mercado deve acompanhar se a compressão do diferencial de juros se aprofunda nas próximas decisões dos dois bancos centrais.


























