Pessoas com deficiência recebem, em média, quase 30% menos do que pessoas sem deficiência no mercado de trabalho brasileiro, segundo informativo divulgado nesta sexta-feira (18) pelo IBGE. O rendimento médio mensal é de R$ 2.053, contra R$ 2.890 de quem não tem deficiência.

Os dados fazem parte do informativo "Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil", divulgado antes do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, em 21 de setembro. Em 2022, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, 7,3% da população.

Onde a diferença é maior

A diferença de renda aparece em todos os setores, mas é maior na indústria (-29,3%) e nos serviços de informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais (-31,3%). Na manufatura, quem tem deficiência ganha R$ 1.859, contra R$ 2.630 de quem não tem.

No setor de informação, atividades financeiras e outros serviços, a diferença é ainda maior: R$ 2.754 para quem tem deficiência, ante R$ 4.008 para quem não tem.

A barreira antes do salário

Antes de discutir salário, a maior barreira é conseguir uma vaga. O nível de ocupação, que mede quem em idade de trabalhar efetivamente tem uma ocupação, é de 55,8% entre pessoas sem deficiência e cai para 29% entre PCDs.

"Temos uma sequência de obstáculos que vão se colocando [para as pessoas com deficiência]. Além da barreira de conseguirem uma ocupação, essas ocupações são piores, com menor contribuição à Previdência e menos direitos de proteção social", explica Luanda Chaves Botelho, do IBGE.

Um caso recente ilustra essa barreira: um candidato aprovado para juiz leigo autista teve a nomeação barrada pelo TJSC, mesmo após ser aprovado no concurso.

Desigualdade também na educação e na moradia

A desigualdade não para no mercado de trabalho. Entre jovens de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo é de 12,2% para quem tem deficiência, contra 1% para quem não tem, a maior distância entre todas as faixas etárias.

O contraste chama atenção porque o Brasil vem registrando queda histórica no analfabetismo geral, o que não se repete entre as pessoas com deficiência.

Na moradia, 78,9% das pessoas com deficiência tinham acesso à internet em casa em 2022, ante 90,2% da população sem deficiência. O acesso à água, coleta de lixo e esgoto também era menor, de 56,6% contra 60,2%.

A desigualdade de renda no mercado de trabalho brasileiro tem outras faces, como a desigualdade de gênero enfrentada pelas mulheres no Acre.

Os dados completos do informativo, incluindo participação política e outros recortes, estão disponíveis no site do IBGE. A próxima divulgação de indicadores sociais do instituto ainda não tem data marcada.