Fábio Felix (PSOL) foi eleito o deputado federal mais votado do Distrito Federal nas eleições de 2026, com 224.224 votos. Primeiro parlamentar assumidamente gay da Câmara Legislativa do DF, ele promete resistência no Congresso e cobra CPMI sobre o Banco Master.

A votação de Felix é quase quatro vezes maior que a de 2022, quando ele foi reeleito à CLDF com 51.792 votos e se tornou o distrital mais votado da história da capital.

Para a Câmara dos Deputados, ele teve quase o dobro do segundo colocado no Distrito Federal, Rafael Prudente (PL), que somou 119.427 votos. Alberto Fraga (PL) ficou em 3º, com 118.579.

Izalci Lucas (PL) é quem lidera o patrimônio declarado entre os deputados do DF, com R$ 10,4 milhões.

"Essa é uma vitória histórica que prova que a população do DF quer ser representada por parlamentares independentes, que tenham coragem de enfrentar grandes interesses em defesa da classe trabalhadora e de grupos vulneráveis", disse Felix, ao Correio Braziliense, horas após o resultado.

O que Felix promete fazer no Congresso?

Felix diz que vai defender direitos trabalhistas e da população LGBTQIA+ diante do avanço de parlamentares conservadores eleitos em 2026. Segundo ele, o cenário vai exigir mais articulação e resistência a medidas que considera retrocessos.

"Não há negociação para flexibilização de direitos", afirmou Felix.

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Apesar de prever um Congresso mais voltado ao enfrentamento político, ele afirma que estará aberto ao diálogo em pautas com espaço para mediação.

Felix também quer a instalação de uma CPMI sobre o Banco Master, pelos impactos do caso sobre o Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do DF.

Em março de 2025, o BRB tentou comprar o Banco Master, negócio barrado pelo Banco Central em setembro daquele ano. A Justiça já autorizou a Polícia Federal a rastrear bens do banqueiro Daniel Vorcaro no exterior.

Ele cita o custo de vida como outra prioridade. Defende uma lei federal para conter aumentos abusivos de aluguel. Também propõe tarifa zero no transporte público.

A nova Câmara terá 183 deputados novatos, a menor renovação desde 1998.

O que muda no Senado e na Câmara do DF?

O Distrito Federal também elegeu os dois nomes mais votados para o Senado dentro do campo bolsonarista: Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, ambas do PL. A bancada do DF no Senado passou a ser só de mulheres pela primeira vez.

Bia Kicis e Michelle Bolsonaro foram eleitas ao Senado no mesmo pleito em que Felix se tornou o deputado mais votado do DF, um retrato da polarização no território.

O que acontece agora

Felix e os demais eleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, para mandatos de quatro anos. Até lá, o pedido de CPMI do Banco Master depende de confirmação de assinaturas e da decisão da Mesa do Congresso sobre a instalação da comissão.