A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), mulher mais votada entre deputados federais eleitos em 2026, afirma que o PSOL cometeu erro estratégico que o deixou sem fundo partidário na Câmara. Em entrevista à Folha de S.Paulo, admite migrar para o PT em 2027.

Hilton critica a não federação do PSOL com o PT e a desvalorização de candidaturas dentro da sigla. O partido ficou sem fundo partidário na Câmara por não atingir o desempenho mínimo da cláusula de barreira.

A deputada avalia que a campanha de Lula (PT) deixou a desejar na comunicação no 1º turno. Diz que há agora novo esforço para converter votos e impedir a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno, em 25 de outubro.

Questionada sobre o que explica ter sido a mulher mais votada entre os deputados federais, credita o resultado às pautas que defendeu. "Credito às minhas inúmeras pautas, que foram essenciais para que nós alcançássemos esse resultado", disse.

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"Nós debatemos os temas centrais do povo brasileiro, desde o fim da escala 6x1, até a pesquisa 'Mulheres na Ciência' e meio ambiente. Sou autora de projetos como 'Cidades Resilientes' e refugiados climáticos", completou Hilton.

A parlamentar também comentou os dois deputados federais mais votados do país, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), conhecidos por ataques transfóbicos contra ela.

"Me dá uma certa ojeriza, um certo horror, imaginar que eu possa ter algo em comum com duas figuras tão desprezíveis da política brasileira", declarou.

Sobre os dois terem sido os mais votados do país, disse que a política "segue ainda sendo um lugar extremamente masculino, branco, e essas figuras carregam esses símbolos".

A deputada relatou ainda ter recebido ameaça de morte por e-mail no dia do 1º turno. "São muitas e muitas ameaças constantes", disse.

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Afirma viver "sob um regime de extrema proteção" desde então.

Hilton foi a mulher mais votada entre os deputados federais no mesmo pleito em que Ferreira e Pavanato, que ela acusa de transfobia, tiveram as maiores votações do país.

O que acontece agora

Hilton também comentou o avanço da direita no Congresso eleito em 2026 e a perspectiva de aprovação do fim da escala 6x1, que o Senado deve votar nos próximos dias, a menos de duas semanas do 2º turno presidencial.