Flávio Bolsonaro (PL) ampliou o voto do pai, Jair Bolsonaro, em todas as faixas de renda no 1º turno de 2026, avançando entre os mais pobres. Lula (PT) perdeu eleitores na renda média e só cresceu entre os 4% mais ricos.
O levantamento da Folha cruza os votos do 1º turno nos 468 mil setores censitários com a renda média de cada um, do Censo de 2022. Lula vence até 1,6 salário mínimo, 42% da população; Flávio vence o restante, 68%.
A maior vantagem de Lula está na faixa de 0,7 salário mínimo (R$ 1,1 mil), com 76% dos votos. A de Flávio está em 2,9 salários mínimos (R$ 4,7 mil), com 56%.
No grupo mais rico, de 16,2 salários mínimos (cerca de R$ 26,2 mil), Flávio tem 50% dos votos e Lula, 39%.
Publicidade
Na cidade de São Paulo, o padrão nacional se inverte: Lula caiu entre os setores mais pobres e subiu entre os mais ricos. A reportagem dividiu as localidades em 100 grupos de renda, do mais pobre ao mais rico.
Renda mensal de R$ 5 mil já coloca o eleitor entre os 20% mais ricos do Brasil.
Por que a renda pesa tanto no voto?
Para a cientista política Karolina Roeder, o voto de classe aparece com clareza nas pesquisas sobre o eleitorado de 2026. O cientista Vitor Sandes atribui a fidelidade do eleitor mais pobre a programas sociais dos primeiros mandatos de Lula, como o Bolsa Família.
Publicidade
O que acontece agora
As duas campanhas do 2º turno, marcado para 25 de outubro, miram ampliar a rejeição do adversário nas faixas de renda onde são mais fracas. O resultado ajuda a explicar por que o mapa eleitoral do Brasil ficou mais dividido neste ciclo.
Em cidades pequenas, essa divisão já apareceu lado a lado: em Angra dos Reis, urnas vizinhas deram 96% a Lula e 93% a Flávio.
A base de votos do levantamento é a mesma do 1º turno que, três dias antes da eleição, a última pesquisa de intenção de voto do primeiro turno também havia medido.





























