A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) contestou nesta segunda-feira (12/10) o relatório do TSE que não achou fake news no canal Exército do Lula, de André Janones (Rede-MG). A equipe diz que 219 posts sumiram em 18 minutos na madrugada de 8/10.

O episódio é o capítulo mais recente da disputa sobre o canal, criado por Janones para mobilizar eleitores de Lula (PT) no 2º turno. No domingo (11/10), o ministro Kassio Nunes Marques suspendeu o canal a pedido de Flávio.

Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a decisão e permitiu a retomada das publicações até o plenário analisar o caso. O tribunal já havia revisto outra decisão sobre propaganda no mesmo dia nesta reta final de campanha.

O vaivém ocorreu no mesmo dia em que Flávio, em transmissão ao vivo, pediu que apoiadores continuassem publicando opiniões nas redes mesmo sob risco de punição.

"Eu sei que você fica preocupado às vezes de postar sua opinião aqui nas redes sociais, de ser bloqueado, de ser banido, mas a gente tem que correr esse risco", disse o senador.

Publicidade

Ele também convocou artistas, influenciadores, congressistas e governadores alinhados à direita a pedir voto nas redes, e orientou eleitores a conversar com indecisos e com quem não votou no 1º turno. "Não tem eleição ganha", completou.

O que diz o relatório do TSE?

O relatório técnico do TSE não localizou, nas publicações do canal examinadas entre 2 e 11 de outubro, as afirmações questionadas pela campanha de Flávio. A perícia não incluiu posts de setembro citados no processo nem o conteúdo integral de vídeos e áudios.

Os peritos também registraram que mensagens apagadas dificultaram reconstituir o histórico do canal.

Segundo a campanha de Flávio, o material apagado incluía um vídeo sobre suposto cancelamento do reajuste do Bolsa Família, com 920 mil visualizações, e outro sobre suposta redução de aposentadorias, com 3,1 milhões de visualizações.

A equipe afirma ter guardado cópias do conteúdo apagado e informou que vai apresentar um novo relatório técnico à Secretaria Judiciária do TSE.

"Proibir a disseminação de fake news e combater canais que deliberadamente se comportam de forma a burlar os mecanismos de controle não é e nem nunca foi censura", afirmou a campanha de Flávio.

Pesquisas mostram que desinformação costuma circular melhor quando tem algum fundo de verdade, o que torna peças como essas difíceis de rastrear mesmo quando apagadas.

Janones nega ter apagado conteúdo para driblar a fiscalização. "A censura já começou", disse o deputado, reeleito com cerca de 79 mil votos. "Eu não divulguei uma notícia lá", completou, sobre as afirmações contestadas.

Publicidade

Ele mantém que o canal, com 3,3 milhões de inscritos, serve para mobilizar e orientar eleitores até o 2º turno. "Nós não vamos nos calar, vamos continuar", garantiu.

Não é a primeira vez que o TSE pede remoção de conteúdo das duas campanhas nesta reta final. O tribunal já havia mandado Flávio apagar um post com imagem gerada por IA sobre Lula.

O que acontece agora

O plenário do TSE ainda vai julgar o pedido de suspensão definitiva do canal, sem data marcada até a noite desta segunda-feira. A campanha de Flávio disse que vai protocolar o novo relatório técnico com as mensagens apagadas.

Janones afirma que seguirá publicando normalmente até a decisão final. O canal já soma 4,1 milhões de inscritos após a repercussão do caso, e o 2º turno está marcado para 25 de outubro.