O Tribunal Superior Eleitoral mandou suspender, nesta sexta (9), o site Brasil 22 Token, que pagava criptomoedas a quem publicasse nas redes conteúdo a favor de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão é da ministra Estela Aranha, que viu indício de propaganda eleitoral irregular.

O esquema, batizado de airdrop, pagava tokens por posts a favor do voto 22.

Lançado em 6 de outubro, o projeto teve apoio do perfil @hyperskidsafrica, de crianças de Uganda com 12,9 milhões de seguidores. O grupo chegou a pedir voto em Flávio num vídeo que depois apagou.

Na decisão, Estela Aranha escreveu que o esquema "extrapola a mera manifestação política de apoiadores e constitui, em tese, mecanismo estruturado de concessão de vantagem econômica vinculada à divulgação de conteúdo de natureza político-eleitoral".

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A ministra também determinou a quebra do sigilo dos dados cadastrais das contas usadas para distribuir as moedas, e mandou remover o conteúdo das redes.

Como funcionava o esquema de criptomoedas

O Brasil 22 Token funcionava por airdrop: quem publicasse conteúdo pró-Flávio, comprovasse a postagem e enviasse ao projeto recebia tokens em troca. Segundo a representação no TSE, o perfil parceiro recebeu 120 milhões de tokens pela divulgação.

O processo também cita o influenciador Pablo Marçal, já barrado da disputa e inelegível até 2032, além de Kevim Guerra dos Santos Flores e Nahuel Gomez Medina.

Um dos posts também marcava o deputado Nikolas Ferreira, que já teve post retirado por ordem do TSE e o próprio Flávio Bolsonaro. A responsabilidade de cada citado ainda será apurada.

O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro

A campanha nega qualquer relação com o site. Em nota, a equipe jurídica informou que vai acionar a Justiça nas esferas eleitoral, cível e criminal, e afirmou desconhecer a autoria do site e não ter relação com a venda de criptomoedas.

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O que acontece agora

A ação foi movida pela coligação de Lula como investigação judicial eleitoral, por suspeita de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

O caso chega a 16 dias do 2º turno, quando decisão sobre propaganda digital pesa de imediato na campanha. No mesmo dia, o TSE mandou Lula e Janja apagarem vídeos contra Flávio.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro.