O degelo acelerado dos Alpes vem revelando objetos que ficaram escondidos por milênios sob o gelo. O mais recente é uma tábua de madeira de cerca de 90 centímetros encontrada pelo arqueólogo suíço Romain Andenmatten no desfiladeiro Col de Barberine.
A peça estava entre rochas, na borda de uma faixa de gelo em desaparecimento. Três anos antes, no mesmo ponto, Andenmatten já havia achado uma prancha parecida, com uma extremidade afilada, que indicava se tratar de um esqui ou uma raquete de neve.
A datação por carbono revelou que essa primeira peça era do século 5º a.C., da Idade do Ferro.
Agora, o arqueólogo investiga se encontrou a outra metade do mesmo par, perdido havia 2.500 anos por alguém que talvez tenha perdido o equilíbrio ao atravessar os Alpes.
Por que o gelo guarda mais história que a pedra
Em boa parte do mundo, sobrevivem do passado antigo sobretudo objetos de pedra, metal e cerâmica. Nos Alpes, o gelo preservou também materiais orgânicos, como couro, madeira, tecidos e partes de corpos humanos, o que conta uma história mais completa sobre quem viveu ali.
A arqueóloga Regula Gubler, de Berna, resume o que esses achados mudam na forma de entender o período:
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A Idade da Pedra não foi, na verdade, uma era apenas de pedra. A maior parte do que as pessoas usavam e vestiam era feita de materiais orgânicos.
Sobre encontrar calçados de couro e cestos de casca de tília trançada que os viajantes antigos levavam para as montanhas, Gubler diz que “é algo muito especial”. Cada peça orgânica recuperada é uma informação que normalmente se perde para sempre em outros sítios arqueológicos.
O que acontece agora
As geleiras da Suíça perderam quase 20% do volume nos últimos cinco anos, segundo cientistas, depois de um inverno com pouca neve e um verão de ondas de calor.
No ritmo atual do aquecimento global, 97% das geleiras hoje existentes nos Alpes podem desaparecer até o fim do século, o que ameaça a reserva de água de dezenas de milhões de europeus em anos de seca.
O mesmo degelo que expõe achados como o de Andenmatten soma-se ao derretimento que já eleva o nível do mar no planeta, segundo a Nasa, e corre contra o tempo: pode destruir vestígios que levaram milênios para se formar.
Achados assim se tornaram mais comuns à medida que o gelo recua, como o naufrágio mais antigo do mundo, identificado neste mês, e o mistério em torno da possível localização da Arca de Noé.





























