Uma equipe de cerca de 20 pesquisadores de cinco países faz, desde 2026, um mapeamento com radar e LiDAR da formação Durupınar, na Turquia, com 157 metros e achada em 1959, apontada por alguns como possível local da Arca de Noé.
Achados preliminares mostram estruturas subterrâneas com ângulos retos a 9 metros de profundidade e concentração de matéria orgânica quase três vezes maior dentro da formação. Nenhum dos dois é considerado prova, segundo a própria equipe.
A hipótese, porém, é questionada há décadas. Em 1996, o geólogo Lorence Collins e o pesquisador David Fasold concluíram, em estudo publicado, que a formação é um sinclinal, uma dobra geológica natural moldada pela erosão.
Uma expedição de 1960 já havia escavado o local com dinamite e encontrado apenas solo e pedras, sem vestígio arqueológico. O próprio Fasold, que antes acreditava na hipótese da arca, mudou de ideia após visitar o sítio de novo em 1994.
A temporada de campo de 2026 reuniu pesquisadores de cinco países, coordenados pelo professor Cenker Atila. Em agosto, a equipe disse que o radar não achou a rocha sólida homogênea esperada numa formação natural, mas isso não é prova por si só.
"Quase certamente" a formação não é o que restou da arca, disse o geólogo Wesley Huff, mesmo afirmando acreditar na existência histórica de Noé.
Para cientistas como ele, falta o que a arqueologia exige: material datado com segurança, recuperado em contexto inequívoco e replicado por pesquisadores fora da equipe original.
O que acontece agora
As análises de laboratório sobre o solo e possível madeira seguem até o fim do ano. A datação por radiocarbono, ainda não feita, é o próximo passo cogitado pela equipe.
O ponto em aberto
A cada nova temporada de campo, a mesma pergunta chega sem resposta. Dados que uma formação natural "não deveria ter" continuam sendo lidos de forma oposta por quem defende e por quem descarta a hipótese.
Sem datação por radiocarbono e sem replicação independente, a discussão sobre a Arca de Noé em Durupınar segue no mesmo ponto em que estava há quase 30 anos, quando o primeiro estudo geológico a contestou.





























