A SoftBank lançou uma emissão de cerca de US$ 11 bilhões em títulos de dívida para financiar a nova parcela de seu investimento na OpenAI, dona do ChatGPT. Segundo a Reuters e o Valor, a operação combina papéis em dólar e euro.
A captação mostra como a corrida por inteligência artificial saiu do orçamento das empresas de tecnologia e chegou ao mercado de dívida. A SoftBank já havia fechado um compromisso de US$ 30 bilhões com a OpenAI, segundo comunicado oficial do grupo japonês.
Esse compromisso foi dividido em três parcelas de US$ 10 bilhões.
O novo dinheiro deve cobrir a terceira parcela, prevista para 1º de outubro. No desenho informado pelo Valor, os títulos em dólar somam US$ 10 bilhões e vencem em 3,5 anos, 5,5 anos e 7,5 anos. A parte em euro soma 1 bilhão de euros.
A troca importa porque transforma uma aposta privada em IA em dívida comprada por investidores do mercado global. A Reuters informou que os papéis são notas senior unsecured, sem garantia específica. O Valor registrou nota provável BB+ por S&P e Fitch.
Por que a emissão importa?
A emissão importa porque tira a SoftBank da dependência imediata do empréstimo-ponte contratado em março. A empresa havia montado uma linha de US$ 40 bilhões para financiar principalmente o aporte na OpenAI, mas informou em 9 de setembro que pagaria antecipadamente US$ 25,9 bilhões.
Segundo a própria SoftBank, US$ 30 bilhões chegaram a ser sacados dessa linha. O Valor informou que, com os títulos em dólar e euro, o grupo planeja não usar os US$ 10 bilhões restantes disponíveis no empréstimo-ponte.
A aposta se conecta ao avanço de outras empresas no mesmo ciclo. A TV Sim mostrou que a energia para IA virou teste para data centers no Brasil e que a AMD entrou no clube dos chips de trilhões de dólares em valor de mercado.
Qual é o risco para a SoftBank?
O risco para a SoftBank é concentrar caixa, dívida e expectativa de valorização em uma empresa de capital fechado. No relatório anual de 2026, o diretor financeiro Yoshimitsu Goto disse que o valor líquido dos ativos chegou a 40,1 trilhões de ienes.
Esse número ajuda a explicar por que o mercado aceita financiar a operação, mas também mostra a concentração do balanço em Arm e OpenAI. A SoftBank tratou a OpenAI como parceira central para sua tese de inteligência artificial.
A TV Sim registrou que a Alibaba também acelerou sua aposta em IA com chip próprio e modelo maior.
O cronograma financeiro agora é apertado. A Reuters informou que a liquidação dos títulos está prevista para 29 de setembro, dois dias antes da data planejada para a terceira parcela do investimento. A empresa ainda não divulgou, em comunicado próprio, o preço final dos papéis.
O que acontece agora
O que acontece agora depende da precificação da quinta-feira (24). Se a venda avançar no calendário informado pelas fontes financeiras, a liquidação em 29 de setembro deixa a SoftBank com recursos antes do aporte de 1º de outubro na OpenAI.
Depois disso, a atenção passa para o custo da dívida e para a capacidade de a OpenAI sustentar a avaliação que justifica a aposta. A mesma corrida já levou investidores, fabricantes de chips e operadores de data centers a disputar capital e energia.





























