O superávit comercial brasileiro somou US$ 9,32 bilhões em outubro, alta de 39,4% sobre o mesmo mês de 2025, segundo a Secex. O petróleo bruto respondeu pela maior fatia do avanço: suas exportações cresceram 122,6% e já representam 22,6% do total vendido ao exterior.

Os dados foram divulgados na sexta-feira (6 de novembro) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

No acumulado de janeiro a outubro, o superávit chegou a US$ 71,04 bilhões, alta de 34,1% ante o mesmo período de 2025. As exportações somaram US$ 321,88 bilhões, e as importações, US$ 250,84 bilhões.

Por que o petróleo pesou tanto

O petróleo bruto é o produto que mais cresceu entre as exportações em outubro, com US$ 4,70 bilhões a mais vendidos ao exterior. O avanço veio de dois fatores juntos: o volume embarcado subiu 62,9%, e o preço médio do barril, 36,7%.

A alta de preço tem relação com a tensão no Oriente Médio: dias antes, um ataque no Estreito de Ormuz levou a cotação do petróleo à máxima em 6 meses.

O Brasil vem se firmando como um fornecedor importante de petróleo num momento em que a oferta mundial está restrita.

afirmou o diretor de Estatísticas do MDIC.

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Quem cresce mais devagar

Nem todo setor avançou no mesmo ritmo. No acumulado do ano, a indústria extrativa (que inclui o petróleo) cresceu 24,4% em valor, quase o triplo do ritmo da indústria de transformação, que avançou 6,3%.

A agropecuária também bateu recorde em outubro, mas cresce 9,2% no ano, bem abaixo do setor extrativo. O padrão já aparecia nas exportações recordes sob tarifaço dos EUA: quem puxa o saldo é a matéria-prima.

O ponto em aberto

O superávit de outubro depende de um fator que o Brasil não controla: o preço internacional do petróleo, hoje elevado por tensão geopolítica. Se a tensão arrefecer e o preço do barril recuar, a mesma conta pode encolher no mês seguinte.