Nenhum estado brasileiro atingiu a meta de vacinação contra o sarampo em 2026, e a cobertura nacional com duas doses da tríplice viral está abaixo de 80%, segundo o Ministério da Saúde. A meta é imunizar 95% das crianças menores de 2 anos.

O alerta ganha urgência depois que um bebê morreu de sarampo em Wisconsin, nos Estados Unidos. A morte foi confirmada na quinta-feira (5 de novembro) e é a primeira pela doença na região desde 1990.

O estado americano vive o maior surto em mais de 35 anos: foram 431 casos confirmados até 3 de novembro, com nove pessoas hospitalizadas. Quase todos os infectados, 428 de 431, não estavam vacinados.

As autoridades não divulgaram a idade da criança nem outros detalhes, para preservar a privacidade da família. O legista apontou o sarampo como causa imediata da morte.

Por que o Brasil está vulnerável

O Brasil registrou 39 casos de sarampo em 2025 e pouco mais de 50 em 2026, a maioria em São Paulo. Peru e Bolívia enfrentam surtos da doença, e outros países das Américas somam milhares de infecções.

Quando a gente atinge mais de 95% da população vacinada, a gente impede que esses casos importados se traduzam por uma transmissão sustentada.

A fala é do médico Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, sobre o risco de um caso trazido de fora do país virar um surto local.

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Não é a primeira vez que um alerta assim chega de fora: em setembro, um surto de sarampo em Bangladesh que matou quase 900 pessoas já havia reaceso o alerta no Brasil.

O que protege contra um surto

A meta de 95% existe porque, acima desse patamar, a vacinação cria uma barreira coletiva que impede o vírus de circular, mesmo quando casos isolados chegam de fora. Hoje, nenhum estado brasileiro atinge esse nível.

Nos Estados Unidos, a confiança na vacina contra o sarampo caiu a 76% em pesquisas recentes, movimento que especialistas associam ao avanço de surtos como o de Wisconsin.