A Avenida Francisco Sá, no bairro Prado, em Belo Horizonte, alagou pela segunda vez em um mês na quinta-feira (5 de novembro), quando o Córrego dos Pintos voltou a transbordar. A Defesa Civil da cidade foi acionada para 14 ocorrências ligadas ao temporal.

O mesmo trecho já havia alagado em 5 de outubro, um mês antes. Depois daquele episódio, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) classificou a drenagem da região como insuficiente.

Para resolver o problema, foram prometidos R$ 609 mil. Mas o valor cobre só o projeto executivo, a planta de engenharia, não a obra em si.

Em que fase está a obra prometida

Em outubro, a prefeitura dizia estar na fase final de captação dos recursos para a intervenção, aguardando a assinatura do financiamento. Só depois disso o processo avança para a licitação da obra.

Os recursos vêm do programa Avançar Cidades 1, e a execução foi selecionada dentro do Novo PAC. Enquanto a obra não sai do papel, a PBH diz monitorar a região durante chuvas fortes, com vistoria e manutenção de bueiros.

A cidade também tem um investimento maior em curso. O BNDES anunciou, em maio, R$ 500 milhões para obras contra enchentes em BH, segundo a Agência Brasil, programa separado da verba específica para o Córrego dos Pintos.

O temporal desta semana

A regional Nordeste teve o maior volume de chuva entre 12h e 19h de quinta, com 56 mm, quase um quarto da média esperada para todo o mês de novembro. A Oeste, onde fica a Francisco Sá, registrou 52 mm.

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Outros pontos da cidade também alagaram: a Avenida Vilarinho, em Venda Nova, a Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, na Noroeste, e a Avenida Heráclito Mourão de Miranda, na Pampulha.

A Defesa Civil emitiu alerta de risco geológico forte para seis regionais, válido até a próxima segunda-feira (9 de novembro), por risco de rachaduras, muros estufados e fendas no terreno.

Ao identificar esses sinais, a população deve sair do local imediatamente e acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.

A chuva também deixou cerca de 26,9 mil imóveis sem energia em BH, segundo a Cemig, o equivalente a 2,7% dos clientes da empresa na capital.

Alertas de risco geológico não são raros na cidade: em outubro, o Barreiro, a Oeste e o Centro-Sul já haviam entrado em alerta semelhante.

Dois dias antes deste temporal, um motociclista morreu em um bueiro depois de ser arrastado por uma enxurrada em BH, o lado mais grave do mesmo problema de drenagem.

Em maio, a prefeitura já havia anunciado obras para minimizar os impactos das chuvas na cidade, parte do mesmo esforço que ainda não chegou ao Córrego dos Pintos.

O ponto em aberto

O Córrego dos Pintos alagou a Avenida Francisco Sá duas vezes em um mês, e a resposta da prefeitura até agora é um projeto de R$ 609 mil, não uma obra.

Enquanto o financiamento não é assinado e a licitação não começa, o próximo temporal forte encontra o mesmo trecho sem proteção.