O Ministério da Saúde projeta alta de 20% a 40% nos casos de dengue em 2027 no Brasil, com a Fiocruz estimando 1,5 milhão de casos prováveis no próximo ano. O ministro Alexandre Padilha comentou a projeção em entrevista na quarta-feira (4 de novembro).

Neste ano, o país já soma 489.197 casos prováveis de dengue e 368 mortes confirmadas, com outras 116 sob investigação, segundo o painel do Ministério da Saúde. Em 2024, ano mais grave da série recente, foram 6.321 mortes pela doença.

Jovem recebe dose de vacina contra dengue, cercado por profissionais de saúde
Vacinação contra a dengue em campanha de dose única. Foto: Prefeitura de Maranguape/Divulgação

Por que o Sul deve ser o mais afetado

A projeção considera um cenário de El Niño forte, fenômeno que altera o regime de chuvas e temperatura no país.

"É lógico que pode ter maior intensidade em algumas regiões, onde você vai ter maior estiagem, como no semiárido e na Amazônia", disse Padilha.

InfográficoDengue 2027
Aumento projetado de casos de dengue em 2027, por região
Cenário de El Niño forte, em %
1º
Sul
138,2%
2º
Centro-Oeste
98,4%
3º
Sudeste
84,9%
4º
Norte
68,9%
5º
Nordeste
49,1%
Fonte: Ministério da Saúde · verificado em 04/11/2026TV Sim Brasil

Na projeção do ministério, o Sul é a região com o maior salto esperado, seguido por Centro-Oeste e Sudeste. O Nordeste, no outro extremo, teria o menor aumento proporcional.

O impasse em torno da vacina

O país tem hoje só a vacina Qdenga disponível no sistema público, aplicada em adolescentes de 10 a 14 anos. A vacina Butantan-DV, de dose única e aprovada para a faixa de 12 a 59 anos, está suspensa desde 8 de junho.

A suspensão veio depois do registro de 42 eventos adversos, incluindo 2 mortes, entre as 501 mil doses já aplicadas.

Em nota, o governo afirmou que "a suspensão foi adotada por precaução, para permitir uma avaliação aprofundada dos registros e identificar possíveis fatores de risco".

O governo já adquiriu 3,9 milhões de doses da Butantan-DV, por R$ 367,9 milhões, com capacidade de produção planejada de 60 milhões de doses.

"A gente acredita, trabalha para isso, torce para isso, para que a gente possa ter essa vacina disponível para uso. Pelo menos no ano que vem", afirmou Padilha sobre a retomada.

O que acontece agora

A mobilização por imunização em massa ganhou prioridade depois das 6.321 mortes por dengue registradas em 2024, o pior ano da série recente. A chegada mais grave de pacientes às UTIs do SUS já havia sido apontada por estudo em outubro.

Estados já relatam alta expressiva neste ano, caso de Pernambuco, que soma 6 mortes e salto de 31,8% nos casos. Enquanto a avaliação sobre a Butantan-DV não termina, a Qdenga segue como única opção de vacina contra a dengue no sistema público.