O governo e representantes dos setores de mineração, energia e transporte debateram, na quinta-feira (5 de novembro), como o mercado regulado de carbono pode abrir negócios para as três áreas, durante o primeiro painel da série CNN Talks (A Economia da Transição).

A secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, afirmou que o governo pretende concluir até dezembro a primeira fase de implementação do sistema.

Estamos implementando a lei. Essa implementação se dá em fases. A primeira, que termina agora em dezembro, é referente à publicação das principais normas, que são a base desse mercado.

O modelo prevê limites de emissão para empresas de setores regulados, a partir de um Plano Nacional de Alocação. Quem emitir mais de 25 mil toneladas de CO2 equivalente por ano precisará negociar cotas conforme seu desempenho.

Quem reduzir emissões além do exigido poderá vender cotas excedentes. Quem ultrapassar os limites vai precisar comprar ativos para compensar a diferença, a partir de 2030.

Os números mostram o tamanho da aposta: é um mercado ainda em formação, mas que já movimenta somas bilionárias e tem prazo definido para funcionar em escala plena.

O que cada setor diz sobre a transição

Na mineração, a aposta é no chamado minério verde.

"Essa indústria promete diminuir 95% sua emissão de carbono. Para que ela faça isso, precisa do minério verde", afirmou Rodrigo Uchoa, diretor de Comunicação Corporativa da Cedro Mineração.

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A indústria brasileira já capta recursos para isso: em junho, Brasil e México receberam investimento de US$ 500 milhões para descarbonização industrial.

Na energia, a Ultragaz aposta na diversificação. "O produto que vai ser utilizado é aquele que vai mais se adaptar àquela necessidade", disse a diretora jurídica e de Relações Institucionais da empresa, Fabiana Molina, que citou a expansão em biometano e energia elétrica.

No transporte, a CNT rebateu a ideia de que descarbonizar prejudica a competitividade do setor. Vinicius Ladeira, representante da confederação, citou os caminhões movidos a biometano como alternativa já viável.

O que acontece agora

A primeira fase do mercado regulado deve ser concluída em dezembro, com a publicação das normas que vão orientar seu funcionamento.

Enquanto o mercado interno avança, o Brasil negocia com a China a venda de créditos de carbono até a COP31, movimento que amplia o mercado externo desses ativos.

O Eco Invest Brasil, citado por Cristina Reis, já fez cinco leilões. O quinto liberou R$ 13,2 bilhões para projetos sustentáveis.