A jornalista independente Yoani Sánchez foi detida pela polícia política em Havana, na quinta-feira (5 de novembro), e solta horas depois, na mesma noite. A fundadora do jornal 14ymedio foi informada de que seria investigada por "atentado contra a ordem constitucional".
Segundo o 14ymedio, Sánchez, de 51 anos, foi abordada quando saía de casa, no bairro de Nuevo Vedado, para fazer compras. O regime cubano não se manifestou publicamente sobre o caso.
Por que a detenção de Sánchez não é um caso isolado
Na mesma semana, outros dois colaboradores do site CubaNet também foram detidos: Adelth Bonne Gamboa, na segunda-feira (2 de novembro), e Camila Acosta, na terça (3 de novembro). Os dois foram soltos horas depois, mas tiveram celulares inutilizados e equipamentos apreendidos.
No mesmo dia da detenção de Sánchez, agentes também prenderam a líder do movimento opositor Damas de Branco, Berta Soler, e outra integrante do grupo, María Cristina Labrada.
"Continuamos sem notícias de Yoani Sánchez", escreveu no Facebook o marido dela, o jornalista Reinaldo Escobar, antes da soltura. O Observatório Cubano de Direitos Humanos, ONG sediada na Espanha, cobrou publicamente informações sobre o paradeiro das detidas.
O peso da trajetória de Sánchez e Soler
As duas mulheres detidas na mesma semana carregam prêmios internacionais que tornam a repressão mais visível lá fora: Sánchez recebeu o Prêmio Ortega y Gasset em 2008 e entrou na lista da revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo no mesmo ano.
Soler, por sua vez, levou o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos do Parlamento Europeu em 2005. As Damas de Branco existem desde 2003, quando 75 opositores foram presos na onda repressiva conhecida como Primavera Negra.
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Desde 2023, uma lei cubana determina que os únicos meios de comunicação legais no país são os estatais, controlados pelo Partido Comunista. Isso deixa o jornalismo independente, como o de Sánchez, formalmente à margem da lei.
A pressão interna soma-se à ofensiva diplomática dos Estados Unidos contra Cuba na ONU e às tensões sobre uma eventual ação militar americana na ilha, rejeitada por Lula.
O ponto em aberto
Nenhuma autoridade cubana confirmou publicamente a detenção ou a soltura de Sánchez, Soler e Labrada.
Sem posição oficial do governo, fica em aberto se as detenções desta semana marcam uma nova onda de pressão sobre a imprensa independente ou um episódio isolado.
A crise já aparece em outros indicadores: em outubro, o transporte público cubano caiu a um mínimo histórico, segundo o próprio governo.






























