Uma combinação de dois medicamentos reduziu em 45% o risco de progressão ou morte em pacientes com câncer de pulmão com mutação no gene EGFR, segundo estudo internacional com participação do IDOR (Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino). O resultado foi comparado à quimioterapia tradicional.
O ensaio, batizado de SAFFRON, testou a combinação em pacientes que já haviam progredido durante tratamento com o remédio osimertinibe. A equipe manteve o osimertinibe e acrescentou um segundo medicamento, o savolitinibe, bloqueando dois mecanismos de resistência do tumor ao mesmo tempo.

Mais de 300 voluntários participaram dos testes clínicos, divididos entre a nova combinação e a quimioterapia convencional.
O que os números mostram
Pacientes com a nova combinação ficaram, em média, 7,6 meses com o tumor controlado, contra 5,4 meses entre os que fizeram quimioterapia. A sobrevida geral também foi maior: mediana de 17,8 meses com a combinação, contra 12,9 meses com a quimioterapia.
Após um ano de acompanhamento, 36% dos pacientes tratados com os dois remédios continuavam vivos e com o tumor sob controle, ante 10% no grupo da quimioterapia.
Segundo a Dra. Clarissa Baldotto, pesquisadora do IDOR e médica da Oncologia D'Or, os achados reforçam a necessidade de entender os motivos biológicos pelos quais o tumor volta a crescer.
A identificação de uma alteração molecular ligada à resistência abre espaço para desenhar uma intervenção sob medida para aquele mecanismo específico
A avaliação da médica resume o que o estudo chama de tratamento direcionado: mirar o motivo exato da resistência, em vez de repetir uma quimioterapia genérica.
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O que acontece agora
Os resultados completos do estudo foram apresentados no Congresso ESMO 2026, em Madri, em 25 de outubro, e publicados no mesmo dia no New England Journal of Medicine.
O estudo chega num momento de avanço de aprovações no país. A Anvisa aprovou recentemente outro remédio contra câncer de pulmão avançado, em processo separado desta combinação, e o avanço chega em meio a um aumento de casos entre pessoas que nunca fumaram.
Persiste, porém, a desigualdade de acesso ao tratamento dentro do SUS.






























