Um temporal com dois tornados confirmados atingiu o Oeste de Santa Catarina na quarta-feira (4 de novembro) e, no mesmo sistema de chuva, matou Jonathan Oliveira da Cruz, de 20 anos, quando o teto do posto onde ele trabalhava, em Rio Negrinho, desabou.

A Defesa Civil confirmou tornados em Chapecó e Xanxerê, com ventos de até 126 km/h. Em Chapecó, cerca de 2.400 residências e indústrias tiveram parte do telhado destruída.

O vento danificou a entrada do Aeroporto Serafim Enoss Bertaso, atingiu hangares e derrubou estruturas internas do terminal.

Céu carregado com nuvens escuras de tempestade, foto de arquivo
Foto de arquivo de céu de tempestade; o fenômeno que formou os tornados em SC envolve supercélulas organizadas por cisalhamento de vento Foto: lubasi/flickr via Openverse (BY-SA)

Desde domingo (1º de novembro), chuva, vento e granizo já atingiram 86 municípios catarinenses e danificaram 4.441 casas. Vinte e três cidades entraram em situação de emergência.

Por que o Oeste catarinense virou alvo

Segundo o meteorologista Gabriel Rodrigues, do Portal Agrolink, o Sul do Brasil é um dos corredores de tempestade mais ativos do planeta.

Quatro fatores convergem ali: ar quente e úmido vindo da Amazônia, a barreira térmica dos Andes, o cisalhamento de vento que organiza supercélulas, e as frentes frias que disparam a tempestade. O Super El Niño que se formou neste ano amplifica esse padrão.

Segundo boletim da NOAA/CPC, o fenômeno deve atingir o pico de intensidade entre outubro e dezembro, com cerca de 95% de chance de ficar na faixa "muito forte" neste trimestre. Ele fortalece o jato subtropical, que carrega mais umidade para o Sul.

Um estudo encontrou aumento de 120% na chance de cheias na bacia do Prata em anos de El Niño como este, o que também preocupa o Rio Grande do Sul, ainda em reconstrução após a enchente de 2024.

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O meteorologista Piter Scheuer vai além: para ele, o Oeste catarinense é o segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas do centro dos EUA.

O americano Reed Timmer, da equipe de caçadores de tornado Team Dominator, vai monitorar o fenômeno na região neste ano. A área já registrou tornados destrutivos em Guaraciaba (2009) e Xanxerê (2015).

Em novembro de 2025, a região teve mais três tornados: em Dionísio Cerqueira, Xanxerê e Faxinal dos Guedes.

Os tornados estão mesmo mais frequentes?

Até julho de 2026, o Brasil já somava 81 tornados registrados, perto do recorde de 92 em todo o ano de 2025. A Região Sul concentra cerca de 70% deles.

O mesmo El Niño já afeta 4,56 milhões de brasileiros com seca em outras regiões do país, no lado oposto desse padrão climático.

Rodrigues faz uma ressalva importante: a chuva extrema tem tendência clara de aumento, mas não há comprovação científica de que tornados, granizo e vendavais estejam, de fato, mais frequentes.

Para ele, o salto nos registros pode refletir mais celular, mais rede social e mais satélite documentando o mesmo tipo de evento.

O que fica em aberto

Meteorologistas alertam desde o meio do ano para a chance de tornados mais fortes no Oeste catarinense nesta temporada de Super El Niño. A tragédia em Rio Negrinho e os estragos no aeroporto de Chapecó deixam uma pergunta.

Coberturas de posto de combustível e terminais públicos na região estão preparados para o tipo de vento que o próprio alerta meteorológico já previa?