As três maiores companhias aéreas estatais da China tiveram forte queda de lucro no terceiro trimestre de 2026 e ampliam voos internacionais, inclusive os que ligam o país ao Brasil. A China Eastern viu o lucro cair 98%, para 64 milhões de yuans.
Em dólares, o lucro do trimestre foi de US$ 9,6 milhões.
Wang Zhiqing, presidente do conselho da China Eastern, disse na terça-feira (3 de novembro) que a empresa "intensificou sua expansão global" diante dos altos preços dos combustíveis e da forte concorrência doméstica.
A empresa lançou ou retomou 18 rotas internacionais em 2026, cinco delas só no terceiro trimestre. Entre elas estão a ligação entre Xangai-Pudong e Tbilisi, na Geórgia, e a nova rota para Dublin, na Irlanda.
A situação se repete nas outras duas estatais. A Air China teve queda de 93% no lucro do trimestre, para 270 milhões de yuans. Já a China Southern, maior das três em frota e receita, teve prejuízo de 609 milhões de yuans no período.
Nos nove primeiros meses do ano, a China Southern acumula prejuízo de 4,3 bilhões de yuans, a maior perda das três. A ordem muda conforme o recorte: no trimestre isolado, a queda percentual é maior na China Eastern.
A manobra ecoa a de outras empresas chinesas, que buscam nas exportações compensar a concorrência em casa.
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O que muda nas rotas com o Brasil
Para o leitor brasileiro, o efeito prático é mais oferta de voos para a China. A Air China amplia desde 8 de julho de 2026 o serviço ao Brasil, com um quarto voo semanal na rota Pequim-Madri-Guarulhos.
O avião é um Boeing 787-9 Dreamliner. A China Eastern, por sua vez, negocia com o governo brasileiro um voo direto entre os dois países. Hoje, a ligação entre São Paulo e Xangai tem escala.
"Precisamos aproximar nossos destinos, considerando que o número de turistas chineses que visitam o Brasil vem aumentando consideravelmente", disse o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, em reunião com a China Eastern em 25 de maio.
As tratativas também incluem a exibição de filmes brasileiros a bordo dos voos da China Eastern e a divulgação de destinos do Brasil na plataforma de viagens CTrip. A companhia opera frota de mais de 800 aeronaves.
O que acontece agora
A negociação do voo direto entre Brasil e China Eastern segue sem data para sair do papel. A nova frequência da Air China a Guarulhos já opera desde julho.
Ela se soma à rota semanal da China Eastern a Xangai, hoje a única ligação regular entre os dois países.
A fraqueza do mercado interno chinês aparece também em outros setores. As vendas no varejo chinês caíram pela primeira vez em três anos. O movimento coincide com a aposta das estatais aéreas em rotas para fora do país.
O comércio entre Brasil e China, hoje puxado por commodities, já bateu recorde de US$ 143 bi em nove meses em 2026.
O Brasil também facilitou a vinda de visitantes chineses. A isenção de visto para turistas da China está em vigor desde maio e deve ajudar a preencher as novas rotas.






























