As denúncias de assédio eleitoral e perseguição política no ambiente de trabalho ultrapassaram 7 mil em todo o país, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O total quase dobrou em relação aos 4.305 registros de 31 de outubro.

O salto ocorreu na semana seguinte ao 2º turno das eleições, realizado em 25 de outubro.

O ministro Luiz Marinho anunciou o número na quarta-feira (4 de novembro) e dirigiu um recado a empregadores.

Para quem eventualmente pensou em demitir alguém por causa do resultado eleitoral, faça o seu recuo tático e se desculpe nas redes.

Marinho também fez uma ressalva sobre a confiabilidade dos números. Ele comparou parte das denúncias a "chamar o bombeiro quando não tem incêndio" e disse haver incerteza sobre quantos dos 7 mil registros são, de fato, casos de assédio comprovado.

Como o aumento se distribui pelos estados

Em Minas Gerais, segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), as denúncias saltaram de 212 até o dia da votação para 474 no balanço de sexta-feira (30 de outubro).

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A alta foi de 123,6%. O estado é o segundo com mais registros, atrás só de São Paulo.

Belo Horizonte concentra o maior número de denúncias em Minas Gerais, com 117 registros. Uberlândia aparece em seguida, com 37, e Governador Valadares soma 24.

No total nacional apurado pelo MPT, os registros passaram de 1.937 para 4.136 na mesma semana, alta de 113,5%. A diferença para o dado mais recente do MTE mostra que o fluxo de denúncias seguiu crescendo nos dias seguintes, já em novembro.

O que acontece agora

O MTE e o MPT seguem recebendo e apurando as denúncias, sem prazo definido para concluir quais configuram assédio eleitoral comprovado.

Empregador que demite ou ameaça empregado por motivo político pode responder por dano moral coletivo. As ações do MPT já somaram dezenas de milhões de reais em multas neste ano.

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A onda de registros se soma a outras frentes abertas desde outubro. A primeira contagem do MTE, de 4,3 mil denúncias, veio quatro dias antes deste novo balanço.

A Justiça também mandou a Meta tirar do ar posts que incentivavam o boicote a trabalhadores, e o governo já havia pedido a remoção de conteúdo similar.

O MPT, por sua vez, já pediu R$ 35 milhões em ações judiciais contra empresas por assédio eleitoral neste ano, antes mesmo do 2º turno.