O laboratório da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) analisa barbeiros capturados por prefeituras do Sul de Minas e identifica a presença do protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, em até dois dias. Desde 2023, 490 insetos já foram testados, e 180 deram positivo.

Isso equivale a 36% das amostras entre os 490 insetos testados até agora.

O exame começa com uma análise taxonômica, para confirmar se o inseto é mesmo um barbeiro hematófago. Depois, os pesquisadores fazem uma leve compressão no abdômen, recolhem as fezes numa lâmina e procuram o parasita no microscópio.

"Quando o inseto chega no laboratório, a primeira coisa é feita a análise taxonômica para saber se realmente ele é um barbeiro", explicou o professor de parasitologia Fabio Antônio Colombo.

Barbeiro, inseto transmissor da doença de Chagas, sobre a pele humana
O barbeiro transmite o protozoário Trypanosoma cruzi ao picar e defecar perto da picada, foto de arquivo. Foto: CDC/OMS via Wikimedia Commons (domínio público)

A Unifal está habilitada a receber amostras das regionais de saúde de Varginha, Alfenas e Passos, no Sul de Minas. O serviço funciona desde 2023.

Até 2023, as análises ficavam concentradas na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, e levavam cerca de uma semana. O prazo caiu para até dois dias com o laboratório da Unifal. Menos espera significa decisão mais rápida sobre dedetização e teste de vizinhos.

Naqueles locais onde foram encontrados os insetos positivos, é necessário tomar alguma atitude, como dedetizar o local para diminuir a população de insetos, ou testar aqueles pacientes que moram na casa onde foi encontrado o inseto positivo.

A explicação é da professora de parasitologia Angélica Rosa Faria, da Unifal.

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Por que o Sul de Minas monitora os barbeiros

O Sul de Minas é historicamente considerado região de baixa incidência da doença de Chagas. Um estudo da Revista Regeo mostra que os casos notificados em Minas se concentram mais nas regiões Norte e Nordeste do estado.

Em Varginha, a Vigilância Ambiental usa os resultados para inspecionar residências num raio de cerca de 100 metros sempre que um barbeiro positivo é encontrado. A informação é do supervisor de campo Paulo Henrique da Silva.

A busca por tratamentos contra a doença também avança no Brasil. Em outubro, pesquisadores da USP encontraram um possível alvo para combater o parasita. O achado pode render novos remédios nos próximos anos.

A Anvisa já aprovou um novo medicamento para crianças com a doença.

Outro estudo brasileiro recente mapeou como o parasita se transforma dentro do corpo, o que pode abrir caminho para novos remédios.

O que acontece agora

A Unifal segue recebendo amostras das prefeituras do Sul de Minas, com resultado em até dois dias. Moradores que encontrarem um barbeiro em casa devem acionar a Vigilância Ambiental do município, que orienta sobre como coletar e enviar o inseto para análise.