O El Niño tem "probabilidade elevada" de atingir intensidade muito forte a partir de novembro, segundo painel de sete instituições federais. O fenômeno já deixa 4,56 milhões de brasileiros em áreas afetadas por seca, alta de 62,1% frente a 2025.

O boletim de outubro, divulgado em 29 de outubro pelo Painel El Niño, reúne INMET, INPE, ANA, CEMADEN, SGB, SEDEC e CENSIPAM.

A leitura da agência americana NOAA, em 2 de novembro, apontou anomalia de 2,5°C na região do Pacífico que mede o fenômeno, a oitava semana seguida na faixa "muito forte".

Como a seca já avança pelo país

Entre agosto e outubro, o número de municípios em seca extrema saltou de 4 para 68, e os em seca severa foram de 153 para 232. Na Amazônia, 1.219 localidades estão em risco hidrológico, afetando 2,2 milhões de pessoas.

Os incêndios acompanham a estiagem. Outubro teve 32.454 focos no país, alta de 13,2% ante 2025, com a Amazônia concentrando 59,6% do total. No Pará, o aumento foi de 241,9% no mesmo período.

Esse cenário já afeta a saúde de quem vive perto das queimadas, com fumaça tornando o ar irrespirável em cidades amazônicas, como mostrou a qualidade do ar em Santarém e Manaus no mês passado.

O que muda por região

A previsão de novembro a janeiro aponta chuva abaixo do normal na maior parte do Norte e do Nordeste, e acima do normal no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste.

Publicidade

A temperatura deve ficar acima da média em quase todo o país, mais intensa no Norte.

O Rio Grande do Sul é a única região sem essa tendência de calor extra, segundo o painel.

Os reservatórios das hidrelétricas já mostram o contraste regional: Sudeste e Centro-Oeste estão em 55,2% da capacidade, em alta. O Nordeste caiu para 44,5%, com o Ceará no menor nível entre os estados, 42,9%.

O que acontece agora

O painel vai divulgar novos boletins mensais, e os cientistas alertam que os efeitos do El Niño podem persistir mesmo depois que o Pacífico começar a esfriar, o que deve prolongar a seca no Norte e Nordeste além do verão.

O Brasil já havia sido avisado: um boletim de setembro já apontava a chance de intensidade muito forte. Dois meses depois, os números de seca e queimada confirmam o cenário então só projetado.