Um tribunal de Hong Kong condenou o ativista pró-democracia Joshua Wong, de 30 anos, a mais 10 anos de prisão na quinta-feira (5 de novembro), a segunda pena que ele recebe sob a lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020.

Wong se declarou culpado em setembro de conspirar com outros ativistas para pedir sanções estrangeiras contra a China e Hong Kong em 2020, incluindo reuniões com políticos americanos como a ex-deputada Nancy Pelosi e o atual secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Ele já cumpria pena de 4 anos e 8 meses por subversão, imposta em 2024 no maior julgamento político de Hong Kong. Sua libertação estava prevista para janeiro de 2027. Wong se tornou o rosto do movimento pró-democracia de Hong Kong ainda adolescente.

Por que Hong Kong empilha acusações

Hong Kong vem processando os mesmos ativistas mais de uma vez pela lei de segurança nacional, prolongando a prisão de lideranças. Wong é o único dos 47 condenados no caso de 2024 a responder a um segundo processo.

O caso dos 47 terminou com 45 condenações em novembro de 2024: o professor Benny Tai recebeu a pena mais longa até então, 10 anos, e Wong, 4 anos e 8 meses. A nova pena de Wong iguala a de Tai.

A pena mais dura já aplicada pela lei foi a de 20 anos de prisão contra o magnata de mídia Jimmy Lai, fundador do jornal Apple Daily, fechado após a nova legislação entrar em vigor.

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Os governos de Hong Kong e da China defendem a lei. Dizem que ela restaurou a estabilidade após os protestos de 2019. Organizações de direitos humanos discordam.

“A pena severa, baseada em acusações infundadas contra Joshua Wong, é cruel e injusta”, disse Elaine Pearson, diretora da Human Rights Watch para a Ásia. Segundo ela, o governo empilha acusações para manter líderes presos por mais tempo.

A ONG pede que outros países apliquem sanções a autoridades responsáveis pela repressão.

O que acontece agora

Wong pode recorrer da nova sentença, mas segue preso enquanto o processo tramita. Ele completou 30 anos na prisão no mês passado e entrou no sistema penitenciário aos 23.

O ponto em aberto

Wong é hoje o único dos 47 condenados em 2024 a enfrentar um segundo processo pela mesma lei. Se o padrão se repetir com outros nomes do grupo, a liderança pró-democracia de Hong Kong pode ficar presa por mais de uma década.