O Brasil tem a maior taxa de juro real do mundo, de 9,49% ao ano, segundo ranking que compara 40 economias. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4 de novembro), após cinco cortes seguidos.
Antes da manutenção atual, o Banco Central havia cortado a Selic cinco vezes seguidas, em passos de 0,25 ponto percentual, entre março e agosto. Desde então, a taxa está parada em 13,75%.
No comunicado, o Copom disse que o cenário "exige serenidade e cautela na condução da política monetária", classificando a própria Selic como "substancialmente contracionista", em meio a um "aumento significativo das incertezas".
Como o Brasil lidera o ranking mundial
O cálculo desconta a inflação projetada para os 12 meses seguintes da taxa de juros de cada país. Nesse ranking, elaborado por MoneYou e Lev Intelligence com 40 economias, o Brasil aparece em 1º lugar, com folga.
A distância para o 2º colocado é grande. A Turquia, com 7,77%, soma uma política de juros também elevada para conter sua própria inflação. Argentina (6,80%) e Rússia (6,57%) completam o grupo de cima.
O conflito entre Irã e Estados Unidos alterou as projeções de inflação global para os próximos 12 meses, segundo a Exame, o que levou bancos centrais a adotar postura mais conservadora e mexeu nas posições do ranking.
Quem critica a decisão do Copom
A manutenção da Selic foi criticada por entidades de peso. "É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação", disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.
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Para o economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, "está na hora de o Banco Central adotar uma política monetária que tanto controle a inflação" quanto permita o crescimento da economia.
"Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando", afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT. Já o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, chamou a decisão de "irracional, nefasta e desastrosa".
As entidades citam o encarecimento do crédito e o aumento do endividamento das famílias. Juros altos também drenam recursos que poderiam ir para emprego formal, hoje crescendo no ritmo mais fraco desde 2020. A expansão econômica esperada para 2026 é inferior a 2%.
O ponto em aberto
O Copom não deu sinal de quando os cortes podem recomeçar. A decisão desta semana interrompeu a sequência de reduções iniciada em março.
Enquanto isso, o Boletim Focus já mostra piora nas contas do país no pós-eleição, o que tende a pressionar o Banco Central a manter a cautela.
A pergunta que fica é até quando o Brasil vai liderar esse ranking: a resposta depende tanto da inflação brasileira quanto da política de juros dos outros países, especialmente da Turquia, a mais próxima no topo.






























