A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta semana para a urgência de fechar o tratado internacional sobre pandemias. O embaixador brasileiro Tovar da Silva Nunes copreside, em Genebra, a rodada final de negociação, que termina em 13 de novembro.

A rodada é a 9ª reunião do Grupo de Trabalho Intergovernamental (GTI) desde julho de 2025. Até agora, foram 8 encontros sem fechar o anexo PABS.

PABS é a sigla para o Sistema de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios. O anexo define como países e laboratórios dividem amostras de vírus e os benefícios gerados por elas, como vacinas e testes.

Fileira de bandeiras de países-membros da ONU em frente ao Palácio das Nações, em Genebra, sede da OMS
A sede da ONU em Genebra, onde ocorre até 13 de novembro a 9ª rodada de negociação do anexo PABS do tratado de pandemias Foto: Juan Seguí Moreno/Divulgação

Sem o PABS fechado, o Acordo de Pandemias da OMS, aprovado pela Assembleia Mundial da Saúde em maio de 2025, não entra em vigor.

O PABS é a última peça que falta no nosso quebra-cabeça

A frase é de Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, em discurso nesta semana. Para ele, nenhum país consegue proteger-se das pandemias agindo sozinho.

Por que o Brasil está à mesa

Tovar da Silva Nunes é o representante permanente do Brasil na ONU em Genebra desde 2021. Ele foi vice-presidente do grupo que negociou o Acordo de Pandemias e, em julho, assumiu a copresidência do GTI ao lado do Reino Unido.

O posto coloca o diplomata brasileiro no centro da costura do texto que decide como o país vai acessar vacinas e tratamentos na próxima pandemia.

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O tema já levou Lula a pedir avanço do acordo em carta ao G7 em junho deste ano, meses antes de lançar uma frente por reforma da ONU.

Tedros citou dois surtos recentes para justificar a pressa. A epidemia de ebola no Congo, declarada em maio, já soma quase 5 mil mortes e mais de 10 mil infectados.

Um surto de hantavírus em um navio de cruzeiro, em abril, matou três pessoas.

O que acontece agora

A rodada em Genebra termina em 13 de novembro. Se o Brasil e o Reino Unido conseguirem fechar o texto do PABS até lá, o anexo segue para aprovação dos países-membros da OMS.

Sem acordo, o Acordo de Pandemias de 2025 continua sem poder entrar em vigor.