Garantir que 90% das crianças brasileiras leiam com domínio básico aos 10 anos pode elevar o PIB per capita do Brasil em 29,3% até 2050, segundo estudo do Instituto de Evidência Educativa (IEE) divulgado na noite de quarta-feira (4 de novembro).
O ganho projetado equivale a US$ 8,34 trilhões (R$ 45,5 trilhões) adicionais à economia brasileira entre 2031 e 2050. A projeção é da What Works Hub for Global Education, parceria liderada por Oxford e financiada por organismos como o Banco Mundial.
Garantir aprendizagens fundamentais não é apenas um objetivo educacional: é também uma prioridade para o desenvolvimento econômico e social.
A frase está no estudo, batizado de "Alfabetizar a tempo, transformar o desenvolvimento". A pesquisa analisa 21 países da América Latina e do Caribe, e o Brasil é um deles.
O ponto de partida é o indicador de pobreza de aprendizagem do Banco Mundial e da Unesco. Em 2022, apenas 46,7% das crianças de 10 anos da região atingiam o nível mínimo de leitura, distância de 43,3 pontos percentuais da meta de 90%.
No Brasil, o quadro já vinha melhorando antes do estudo: o país tinha 8,4 milhões de analfabetos, a menor taxa desde 2016, segundo o IBGE.
Por que o Brasil ganha mais que os vizinhos?
Pela dimensão da população e da economia, o Brasil seria o país da região com os maiores benefícios absolutos: concentraria 26,4% do produto adicional e 26,9% da arrecadação extra até 2050.
Junto com o México, reuniria 52% do produto adicional gerado pela alfabetização na região. O ganho não viria de mudança tributária, mas do efeito de aplicar a carga de impostos atual sobre uma economia maior.
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Entre 2031 e 2050, o cenário projetado levaria 3 milhões de crianças a mais a concluir os anos iniciais do fundamental, e outros 2 milhões teriam acesso à educação secundária. O estudo também projeta mais de 1 milhão de jovens com emprego persistente.
Estima ainda 23 mil mortes evitadas de crianças menores de 5 anos e 83 mil casamentos infantis a menos no período, segundo o estudo.
O tema, porém, quase não apareceu na eleição deste ano: os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro ignoraram o gargalo da alfabetização no primeiro turno.
O ponto de partida brasileiro é frágil: no Pisa 2025, 72% dos estudantes ficaram abaixo do nível básico em matemática.
O que falta para o Brasil mudar essa rota
O estudo mostra o tamanho do prêmio, mas não resolve o problema que o gerou. O país segue com a maioria das crianças fora da meta de leitura aos 10 anos, e o tema esteve ausente dos planos de governo apresentados na eleição de outubro.
A distância entre o diagnóstico e a prioridade política é, hoje, o maior obstáculo entre o Brasil e os R$ 45,5 trilhões projetados.






























