Um diagnóstico de câncer de pulmão costuma ser associado ao cigarro, mas uma parcela crescente dos casos aparece em quem nunca fumou. Foi o que aconteceu com o Papa Leão XIV, diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, o tipo mais comum da doença.

Cerca de 20% dos casos de adenocarcinoma de pulmão são diagnosticados em pessoas sem histórico de tabagismo, segundo especialistas. O adenocarcinoma responde por 40% a 50% de todos os cânceres de pulmão.

O que explica os casos em quem nunca fumou

Entre os fatores que podem aumentar o risco sem o cigarro estão a poluição do ar, a predisposição hereditária, a exposição ocupacional a gases tóxicos e o contato com o radônio, um gás radioativo natural presente em rochas e no solo.

O radônio é classificado pelo INCA entre os agentes do Grupo 1 da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, ligada à OMS.

No Brasil, porém, a medição é pontual, não nacional: no Projeto Planalto, em Poços de Caldas (MG), 21% das casas pesquisadas tinham concentração de radônio acima do limite de referência. Ninguém sabe, hoje, qual é o tamanho real desse risco no país.

Por que o diagnóstico costuma vir tarde

Nos estágios iniciais, o adenocarcinoma não costuma provocar sintomas, e muitos casos são descobertos por acaso, em exames feitos por outro motivo. Foi o caso do aposentado Paulo: ele procurou atendimento após uma pneumonia, e um raio-X no pronto-socorro revelou uma alteração inesperada no pulmão.

"Eu não acreditei", lembra Paulo, que nunca fumou e não apresentava qualquer outro sintoma da doença.

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Quando o tumor evolui sem detecção, os sintomas mais comuns são tosse persistente, falta de ar, dor no tórax, febre, perda de peso e tosse com sangue. No Brasil, segundo o INCA, 84% dos casos chegam em estágio avançado.

A diferença de sobrevida entre descobrir cedo ou tarde é grande: quem é diagnosticado no estágio inicial tem quase o triplo de chance de sobreviver 5 anos, em relação à média geral da doença.

O que acontece agora

O Brasil não tem recomendação oficial de exame preventivo para quem nunca fumou. A diretriz nacional de rastreamento existente vale só para fumantes ou ex-fumantes com 50 anos ou mais e carga tabágica relevante.

Para quem nunca fumou, a recomendação que já tínhamos coberto continua sendo investigar sintomas persistentes com um médico, já que não há exame de rotina indicado para esse grupo.

O papa recebeu alta quatro dias após a cirurgia, e o SUS passou a oferecer três remédios contra a doença a partir de outubro, dentro de um esforço para reduzir a desigualdade no tratamento dentro do SUS.