As tarifas de frete dos superpetroleiros que levam petróleo do Oriente Médio à Ásia e à Europa chegam a US$ 40 por barril, mais de dez vezes o valor normal. A alta começou em setembro e já pressiona também o petróleo exportado pelo Brasil.
A escalada de tensão no Oriente Médio derruba a margem das refinarias. Em Roterdã, referência europeia, ela caiu para US$ 10,95 negativos por barril em 5 de outubro, segundo o London Stock Exchange Group (LSEG).
A margem de refino é a diferença entre o que a refinaria ganha vendendo combustível e o que gasta para comprar petróleo bruto, incluindo o frete. Em Cingapura, referência para a Ásia, ela já tinha ficado abaixo de US$ 4 negativos em 10 de setembro.
O petróleo Brent segue oscilando com a tensão geopolítica. O que mais pesa agora nas contas das refinarias, porém, é o custo do transporte, não o preço do barril.
Por que o Brasil entra nessa conta?
O Brasil entra porque também depende de navios de longo curso para escoar o petróleo do pré-sal, e o mesmo gargalo de embarcações encarece o frete das rotas brasileiras, segundo a InvestNews.
Cargas que saem de portos do Atlântico, incluindo o Brasil, passaram a ser divididas em dois navios Suezmax de 1 milhão de barris, em vez de um só superpetroleiro com o dobro da capacidade.
No trecho Brasil-Mediterrâneo, o frete de um Suezmax saltou de US$ 40,71 para US$ 93,90 por tonelada entre 1º e 25 de setembro, alta de 130,7%, segundo a Economic News Brasil.
Na rota para o Reino Unido, o custo foi de US$ 38,83 a US$ 90,09 por tonelada no mesmo período.
São João da Barra, no Rio de Janeiro, é o único terminal do país apto a carregar um VLCC.
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O aperto chega num momento de produção recorde. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) registrou 4,498 milhões de barris por dia em julho, alta de 13,6% em um ano, dos quais 3,728 milhões vieram do pré-sal.
Até a quarta semana de setembro, o país já havia exportado 10,1 milhões de toneladas de petróleo, ritmo 50% acima do mesmo período de 2025.
O petróleo brasileiro perde preço na comparação?
Perde, segundo o banco Morgan Stanley. O frete caro favorece o petróleo de rota curta, e o brasileiro, que precisa viajar mais para chegar à Europa ou à Ásia, sai em desvantagem relativa de preço.
O banco elevou a projeção do Brent para US$ 105 por barril no quarto trimestre de 2026 citando esse descolamento.
Os preços free-on-board do petróleo do Brasil, do oeste da África e do WTI americano têm caído em relação ao Brent na Europa, porque o mercado paga mais hoje por quem embarca perto.
É a mesma lógica que aperta as refinarias da Ásia e da Europa do outro lado da cadeia. O transporte passou a pesar mais do que o preço do combustível.
A Petrobras minimiza o risco direto da guerra sobre suas próprias rotas. Em março, o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, Claudio Romeo Schlosser, afirmou à imprensa, segundo o NovoNotícias:
As vendas externas de petróleo para mercados como Índia, China e Coreia não utilizam rotas marítimas consideradas sensíveis ao atual cenário de guerra.
Ele acrescentou que os trajetos do petróleo brasileiro não passam por áreas ameaçadas pela escalada no Golfo Pérsico.
Mesmo assim, o destino das exportações mudou neste ano: no primeiro trimestre, a Petrobras vendeu em média 888 mil barris por dia ao exterior, 85% para a Ásia, com a China respondendo por 65% do total.
No segundo trimestre, a fatia chinesa caiu para 35%, a Índia subiu a 22% e a Europa passou a 18%, segundo dados compilados pela Exame.
O que acontece agora
O frete caro tende a continuar enquanto durar a tensão no Oriente Médio. Em fevereiro, um conflito entre Irã e forças lideradas pelos EUA havia fechado efetivamente o Estreito de Ormuz, derrubando em 95% o transporte de petróleo bruto pela rota até maio.
Os EUA sinalizaram uma desescalada parcial em abril, mas a tensão voltou a subir em setembro, o que pressiona o frete agora. Não há, nas fontes consultadas, previsão de quando as tarifas devem recuar.





























