O papa Leão XIV, de 71 anos, anunciou neste domingo (11) que será submetido a uma cirurgia para retirar um nódulo encontrado no pulmão. Ele mesmo deu a notícia aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, durante a oração do Angelus.
Segundo o papa, a lesão foi detectada "em um estágio muito inicial".
"Os médicos consideram a cirurgia adequada. Seguindo a orientação deles, decidi, portanto, submeter-me a uma operação para removê-lo", disse o papa, ao anunciar a cirurgia, marcada para os primeiros dias desta semana no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma.
Nódulo não é sinônimo de câncer
Um nódulo pulmonar é uma lesão pequena, geralmente de até três centímetros, encontrada em exames de imagem como a tomografia de tórax. Segundo a Sociedade Torácica Americana, menos de 5% dos nódulos pulmonares são cancerígenos.
O risco de malignidade cresce com o tamanho e o formato da lesão, o crescimento observado entre exames, a idade do paciente e o histórico de tabagismo. Não foram divulgados detalhes do nódulo do papa, nem se ele é benigno ou maligno.
No Brasil, a investigação de nódulos segue o mesmo caminho: segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), radiografia e tomografia são os exames iniciais, e a biópsia entra quando há suspeita maior.
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O caso do papa reacende a atenção para um câncer que mata mais brasileiros do que quase qualquer outro tumor, mas que raramente dá sintomas até estar avançado.
O Brasil projeta 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano entre 2026 e 2028, segundo o INCA, com 32.557 mortes já registradas em 2024, em boa parte ligadas ao tabagismo.
O avanço no tratamento tem acompanhado o volume de casos: a Anvisa aprovou neste ano um novo remédio para um tipo avançado da doença, voltado a pacientes com mutação genética específica.
O que muda na agenda do papa
Leão XIV tem uma viagem de duas semanas à América Latina prevista para o início de novembro, a primeira desde que foi eleito, em maio de 2025. Ele visitaria Uruguai, Argentina e Peru.
No Peru, o papa viveu por mais de 20 anos antes de ser eleito.
O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, não confirmou se a agenda será mantida após a cirurgia. A recuperação prevista é de cerca de uma semana de internação.
O ponto em aberto
O papa que já alertou sobre os riscos da inteligência artificial em sua primeira encíclica escolheu anunciar a própria cirurgia em público, antes mesmo do procedimento. A transparência contrasta com o histórico do Vaticano em casos de saúde de pontífices, nem sempre divulgados com antecedência.
Falta saber se a viagem à América Latina, que incluiria o país onde ele viveu boa parte da vida, será mantida no calendário de novembro ou remarcada.





























