O presidente Lula (PT) planeja reestruturar o Gabinete Pessoal para o quarto mandato, com a criação de um cargo dedicado à agenda privada. A Folha de S.Paulo apurou que uma proposta é transferir as redes sociais do presidente, hoje geridas pela Secom.

Segundo aliados ouvidos pela Folha, a mudança deve ampliar a influência da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, Janja, na comunicação pessoal do presidente.

Está em estudo ainda a criação de um secretário particular para a agenda privada de Lula, enquanto o chefe de gabinete ficaria com a articulação entre ministérios.

Como a estratégia das selfies pesou na virada

Lula terminou o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 45,16% dos votos contra 47,03%. Em 7 de outubro, já em desvantagem, publicou o primeiro vídeo selfie e passou a conclamar apoiadores às ruas.

A ideia de transferir as redes para o Gabinete Pessoal foi cogitada e descartada em 2023. Ela voltou à mesa depois que Lula passou a gravar vídeos selfie na reta final de 2026. A guinada começou em outubro.

A mudança de tom é apontada como um dos fatores da virada de engajamento nas redes que ajudou Lula a vencer o segundo turno. Depois, Lula disse que Janja sempre incentivou o formato, como os aliados André Janones e Rafael Fonteles.

O plano chega em meio a ação no TSE sobre a Secom

A reformulação do Gabinete Pessoal é discutida enquanto a Secom responde no TSE por uso da estrutura pública na campanha de outubro deste ano. O questionamento parte de uma ação movida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Publicidade

A Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral admitiu a ação, que acusa o governo de usar a Secom para beneficiar a candidatura de Lula. Segundo a representação, o ministro Sidônio Palmeira tirou férias do cargo em 12 de outubro para atuar na campanha.

Flávio pede cassação e inelegibilidade por oito anos.

Tirar a gestão das redes pessoais da Secom para o Gabinete Pessoal reduz a exposição do presidente a questionamentos sobre uso de máquina pública em disputas futuras, como a movida por Flávio.

Antes da campanha, o governo já havia ampliado o acesso de Janja a serviços do Gabinete Pessoal por decreto, em agosto de 2025.

O que acontece agora

Lula e o vice eleito Alckmin têm até terça-feira (10 de novembro) para apresentar defesa na ação movida por Flávio na Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral. A estrutura do Gabinete Pessoal para o mandato que começa em janeiro não foi formalizada em decreto ou portaria.