Um mesmo sistema de frente fria atingiu Mato Grosso do Sul, o Paraná e São Paulo no mesmo fim de semana. Em Cachoeira Paulista (SP), uma microexplosão atmosférica chegou a 126,7 km/h e destelhou cerca de 20 casas, no sábado (7 de novembro).

Ninguém ficou ferido, segundo a Defesa Civil de São Paulo.

O que é a microexplosão atmosférica

Uma microexplosão atmosférica é um fenômeno em que fortes correntes de ar descem de uma nuvem de tempestade e, ao atingir o solo, se espalham horizontalmente em alta velocidade. O resultado são rajadas intensas e danos a construções e árvores, explica a Defesa Civil.

O meteorologista sênior William Minhoto, da Defesa Civil de São Paulo, descreveu o episódio. "Em Cachoeira Paulista, registramos rajadas de 126,7 km/h, com potencial para causar destelhamentos e quedas de árvores. O CGE segue monitorando as condições meteorológicas", disse.

O mesmo temporal provocou estragos em outras cidades paulistas: em Penápolis, os ventos chegaram a 118 km/h; em Piracicaba, a 96,1 km/h; no Vale do Ribeira, a 80 km/h. A Defesa Civil emitiu 72 alertas de celular ao longo do dia.

No Paraná, o mesmo tipo de sistema provocou o que a Copel chamou de pior evento climático do ano para a rede elétrica estadual. No pico, por volta das 17h de sábado, 478,5 mil unidades consumidoras ficaram sem energia.

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Foi quase 1,5 vez o recorde que a própria Copel já havia batido em 2026, de 325 mil unidades sem luz em 4 de outubro, dia do 1º turno das eleições.

"É a maior contingência do ano, como parte de mais um evento climático consecutivo do El Niño", disse o diretor-geral de Distribuição da Copel, Denis Mollica.

O que acontece agora

O mesmo sistema de frente fria segue em direção ao Mato Grosso do Sul, onde a Climatempo prevê rajadas de até 70 km/h no domingo (8 de novembro). A frente fria segue atípica até segunda-feira, segundo meteorologistas.

O ponto em aberto

A Copel atribuiu o temporal ao mesmo El Niño que já afeta diretamente 4,56 milhões de brasileiros neste ano. É a segunda vez em pouco mais de um mês que o recorde de falta de energia do Paraná é batido pelo mesmo tipo de evento.

A pergunta que fica é até quando o fenômeno vai seguir provocando temporais simultâneos em diferentes regiões do país.