A Binance anunciou, no sábado (7 de novembro), a saída do diretor financeiro Kaiser Ng, dias depois do roubo recorde de US$ 6,3 bilhões, que o FBI atribui à Coreia do Norte. A empresa diz que a troca já estava planejada antes do ataque.

Segundo o co-CEO Yi He, Ng decidiu seguir um novo empreendimento, com um plano de transição conduzido desde o semestre anterior. O substituto é Justin Yek, ex-vice-presidente de Finanças da Airwallex.

O padrão que vem de outras crises corporativas

Executivo sair logo depois de um incidente de segurança não é novidade. Depois do vazamento de dados da Equifax, em 2017, o CEO Richard Smith deixou o cargo, junto com a diretora de segurança, Susan Mauldin, e o diretor de tecnologia, David Webb.

Na Uber, o diretor de segurança, Joe Sullivan, foi demitido em 2017 após a revelação de um vazamento de 57 milhões de usuários e motoristas, ocorrido em 2016.

Ele havia escondido o caso, pagando US$ 100 mil aos hackers disfarçados de recompensa por falha de segurança.

Um júri condenou Sullivan por obstrução e ocultação de crime. Ele foi sentenciado a 3 anos de liberdade condicional e multa de US$ 500 mil, pena mantida em recurso em março de 2025.

O caso da Binance é diferente nesse ponto. A empresa divulgou o ataque publicamente, o FBI assumiu a investigação, e a corretora já repôs cerca de 98% dos US$ 6,3 bilhões roubados, usando caixa próprio e o fundo de reserva SAFU.

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Por que o roubo da Binance muda a escala do problema

O valor roubado da Binance é mais de 4 vezes o recorde anterior, os US$ 1,5 bilhão tirados da corretora Bybit em 2025. Antes disso, os maiores casos ficavam na casa das centenas de milhões de dólares, como Ronin, em 2022, e Coincheck, em 2018.

O FBI atribuiu o ataque a hackers ligados à Coreia do Norte, que nega a autoria. Segundo estimativas, o regime já acumulou mais de US$ 3 bilhões em criptomoedas roubadas desde 2017.

Esses recursos, de acordo com a ONU, financiam os programas nuclear e de mísseis do país.

A Binance já havia retomado os saques dos clientes na semana anterior, após recompor a maior parte do valor roubado.

O ponto em aberto

A Binance apresenta a saída de Ng como parte de um plano de transição anterior ao ataque, sem relação com o roubo.

O que o episódio deixa em aberto é outro: por que um ataque iniciado meses antes, com phishing contra funcionários, só foi detectado depois de já ter tirado US$ 6,3 bilhões da corretora.